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'Sou contrária ao nazismo', diz governadora interina de SC após críticas

Daniela Reinehr se manifestou contrária ao nazismo - Reprodução/Instagram
Daniela Reinehr se manifestou contrária ao nazismo Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL

29/10/2020 12h43Atualizada em 29/10/2020 13h10

Após críticas, a governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido) divulgou nota na manhã de hoje para manifestar-se contrária ao nazismo. Na última terça-feira (27), a política foi cobrada sobre o assunto em uma entrevista coletiva e sua resposta pouco enfática acabou gerando mal-estar do governo, inclusive com entidade judaicas.

Reinehr assumiu o governo após o afastamento do governador Carlos Moisés (sem partido), decidido na madrugada do último sábado.

"Antes de mais nada é preciso declarar que sou contrária ao nazismo, assim como sou contrária a qualquer regime, sistema, conduta ou posicionamento que vá contra os direitos individuais, garantias de segurança ou contra a vida das pessoas", diz a governadora em nota encaminhada à imprensa.

No documento, a governadora interina afirma que acreditava ter respondido a pergunta. "Sinceramente, pensei ter deixado isso claro quando fui questionada durante entrevista coletiva concedida na terça-feira (27/10), independente das palavras usadas", salientou.

Na sequência, a política disse que o vídeo da coletiva sofreu cortes. "Consigo entender a reação das pessoas ante o posicionamento que me imputaram, e principalmente porque isso aconteceu de forma injusta, a partir de uma atitude antiética, que apresentou um vídeo editado, com uma pergunta alterada. Sou amiga de Israel e dos Judeus, e qualquer ilação contrária não corresponde com a verdade", disse.

Pergunta sobre apologia do pai ao nazismo

Durante a entrevista de terça-feira, Reinehr foi surpreendida ao ser questionada se compactuava com ideias neonazistas que teriam sido defendidas por seu pai, professor de história que pregava o negacionismo do holocausto judeu. A governadora estava tomando água neste momento e ficou visivelmente desconcertada com a pergunta.

Reinehr respondeu que não pode ser julgada por "atos de terceiros", fazendo referência ao processo de impeachment em que também era investigada, mas do qual conseguiu escapar.

"Eu realmente não posso responder, ser julgada ou condenada pelo que esse ou aquele pense. Volto a dizer, eu respeito as pessoas independentemente do seu pensamento, respeito os direitos individuais e liberdades. E qualquer regime que vai contra o que eu acredito, contra esses elementos, eu repudio", afirmou.

"Eu realmente espero que eu seja julgada novamente, que os atos sejam apartados como foi na comissão mista, que eu batalhei desde o início. Eu não quero ser arrastada por atos de terceiros, por convicções de terceiros. As minhas convicções estão muito claras nas redes sociais", disse ela.

Posse após sessão prolongada

Daniela Reinehr assumiu interinamente após o afastamento do governador Carlos Moisés (PSL), decidido na madrugada do último sábado (24), após 17 horas de sessão. Ela também era investigada por suspeita de improbidade administrativa na concessão de equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os dos procuradores da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), sem o aval dos deputados.

A manutenção dela no cargo ocorreu por duas situações ocorridas na sessão do Tribunal Especial de Julgamento, formado por desembargadores do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) e por parlamentares da Alesc.

A primeira delas foi o voto do deputado Sargento Lima (PSL), que foi contrário à continuidade da denúncia contra Reinehr. Com isso, o placar ficou em cinco a cinco, sendo necessário o desempate. A segunda situação foi o voto de minerva do presidente do TJ, desembargador Ricardo José Roesler, que também foi contrário ao afastamento da vice-governadora.

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