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Ataque cibernético deixa motoristas sem vistoria no Detran de Brasília

06.nov.2020 - O empresário Domingos Costa Araújo não conseguiu transferir seu carro por causa do ataque cibernético nos sistemas do GDF - Eduardo Militão/UOL
06.nov.2020 - O empresário Domingos Costa Araújo não conseguiu transferir seu carro por causa do ataque cibernético nos sistemas do GDF Imagem: Eduardo Militão/UOL

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

06/11/2020 13h23Atualizada em 07/11/2020 11h00

O ataque cibernético contra os sistemas da Secretaria de Economia do Governo do Distrito Federal (GDF) ainda produz seus efeitos. Na manhã desta sexta-feira (6), motoristas que tentavam fazer vistorias em seus veículos tiveram que voltar para a casa.

Funcionários do Detran do DF informavam a eles que o ataque cibernético impedia que o sistema reconhecesse corretamente se havia débitos no veículo. Quando há dívidas, o carro não pode ser transferido para outra pessoa, por exemplo. Cerca de 5% das vistorias não puderam ser feitas, informou a assessoria do Departamento de Trânsito.

O UOL esteve em uma unidade do Detran na manhã de hoje e presenciou motoristas que foram orientados a voltar em outro dia por causa do ataque dos hackers ao sistema da Secretaria de Economia.

Um deles foi o empresário Domingos Costa Araújo, 48, que havia marcado a vistoria há três meses. Foi orientado a voltar segunda-feira para verificar se pode transferir o carro que comprou para o seu nome.

"Um funcionário me disse que fui sorteado na manobra dos hackers, que bloquearam o sistema da secretaria", afirmou Araújo à reportagem. "Isso mostra uma grande vulnerabilidade do sistema. E se fosse uma questão de saúde, de emergência, questão de defesa?"

A assessoria da Secretaria de Economia do DF afirmou ao UOL que o problema foi resolvido a partir das 9h. "Colocamos de volta no ar e foram voltando aos poucos", disse a pasta.

A Secretaria disse que não era possível retomar os serviços sem tomar precauções. "Algumas pessoas tiveram transtorno, mas o prejuízo seria muito maior e generalizado se não tivéssemos tirado do ar."

A Secretaria de Economia e o Detran não informaram a quantidade de motoristas atingidos. Mas, segundo o Departamento de Trânsito, cerca de 5% das vistorias não puderam ser atendidas. "O sistema de vistoria está funcionando nesta sexta-feira, apesar de apresentar oscilações em alguns momentos", declarou a assessoria do Detran na sexta-feira (6).

O motivo dos problemas foi a "dificuldade de consultas em sistemas de outros órgãos, como é o caso do IPVA, arrecadado pela Secretaria de Economia". "Em outros casos mais específicos, como transferências de UF, não foi possível realizar consultas no Detran de origem, por isso, os proprietários serão atendidos na próxima semana, sem precisar realizar novo agendamento", completou a assessoria.

Nesta semana, ataque hacker atingiu também os sistemas do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do sistemas do Ministério da Saúde.

No tribunal, o ataque nas redes provocou instabilidade e levou à suspensão de julgamentos, entre eles o de um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o processo da Operação Lava Jato relacionado ao apartamento tríplex do Guarujá (SP).

A Polícia Federal instaurou inquérito policial para apurar a invasão dos computadores do tribunal, além de apurar uma eventual relação entre o ataque e os problemas nas redes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Economia do Distrito Federal.

Ontem o presidente Jair Bolsonaro disse que que a PF já identificou o hacker que invadiu computadores da corte.

"[Sobre o] Hackeamento do acervo do STJ: alguém entrou, pegou tudo, guardou e pediu resgate. É o Brasil. A Polícia Federal entrou em ação imediatamente, tive informações do diretor-geral da PF [Rolando Alexandre de Souza]. Já descobriram quem é o hackeador. O cara hackeou e não conseguiu ficar duas horas escondido?", disse o presidente em sua live semanal.

A Polícia Federal disse que não comentaria a investigação e nem as declarações do presidente para confirmar se informação de inquérito sigiloso foi realmente prestada ao presidente da República por Rolando Alexandre.

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