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Governador de SC diz não haver "justa causa" para pedidos de impeachment

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés  - Maurício Vieira/Secom/Governo de Santa Catarina
O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés Imagem: Maurício Vieira/Secom/Governo de Santa Catarina

Luan Martendal,

Colaboração para o UOL, em Florianópolis (SC)

27/11/2020 19h01Atualizada em 27/11/2020 19h10

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL), afirmou hoje não haver justa causa para a sua retirada do cargo nos dois processos de impeachment movidos contra ele. Após ser absolvido em um deles, Moisés retomou o comando do estado, e anunciou investimentos bilionários para obras de infraestrutura e a retomada econômica.

Nesta sexta, o governador, que estava afastado havia cerca de um mês, se livrou do impedimento com 6 votos a favor dele e 3 contra, no tribunal especial composto por desembargadores e deputados estaduais. Um deputado se absteve de votar.

Carlos Moisés se disse inocente das acusações de crime de responsabilidade. Em coletiva à imprensa, o governador afirmou ainda que encara a retomada do comando de Santa Catarina como uma renovação de seu compromisso com a sociedade e as instituições catarinenses.

"Entendemos que tanto neste processo de impeachment quanto no outro não há justa causa para o prosseguimento das denúncias. Hoje é um dia histórico para Santa Catarina e eu estava tranquilo, porque tinha a certeza de que a justiça seria feita e a democracia e o voto popular seriam respeitados. Com a retomada do cargo, ganha o cidadão, ganha a democracia e ganham as instituições democráticas", declarou o governador.

Segundo Carlos Moisés, a expectativa do governo é que, nos próximos dias, seja arquivado o segundo processo de impeachment contra ele, aberto para investigar a compra antecipada de 200 respiradores pelo governo do estado no início da pandemia de covid-19. Os aparelhos custaram aos cofres públicos R$ 33 milhões e não seriam compatíveis com a necessidade de uso no tratamento de pacientes de covid-19.

Pacote de investimentos

Hoje o governador anunciou propostas de investimento em três eixos (infraestrutura, planejamento hídrico e retomada da economia), com previsão até 2022 (e visão de resultados para até 2035), por meio do programa "Santa Catarina, um estado de verdade".

Segundo o estado será aplicado cerca de R$ 1,7 bilhão para obras estruturantes, no maior investimento da década no setor, principalmente para o abastecimento nos grandes centros urbanos.

Também foi anunciado um pacote, de R$ 2,3 bilhões até 2022 para movimentar a economia e gerar empregos, através do Fundo Garantidor do estado — e efetivação via Badesc e BRDE- - e linhas de crédito setorizadas, incluindo segmentos mais afetados pela pandemia, como a área de Turismo e Eventos.

Já na infraestrutura a quantia de investimentos projetada chega a R$ 5,5 bilhões, com intenção de pavimentar 93% dos trechos em situação ruim ou péssima, ao longo dos mais de 6.000 quilômetros de estradas catarinenses. As obras também estão centradas em conectar portos, aeroportos, ferrovias e rodovias para facilitar o transporte, além de envolver a sinalização de circuitos turísticos.

Recomposição do governo

Com relação aos atos administrativos tomados pela governadora interina, Daniela Reinehr, o governador evitou comentários e afirmou que eventuais correções a atos tomados pela vice-governadora no cargo serão avaliados e eventuais correções serão debatidas.

Em um sinal de abertura ao diálogo com a Assembléia Legislativa, Carlos Moisés também definiu o nome de Eron Giordani como novo Chefe da Casa Civil do Governo, que possui bom trânsito com os parlamentares estaduais e a esfera pública; e o jornalista Jefferson Douglas na Secretaria de Comunicação. O procurador-geral do Estado também volta a ser Alison de Bom de Souza.

A liderança do governo na Alesc ainda está em discussão, mas também deve ser um nome alinhado ao Executivo, mas com bom trânsito no Legislativo.

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