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Política

Lira busca se distanciar de Bolsonaro e diz que Baleia é da base como ele

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

11/01/2021 11h36Atualizada em 12/01/2021 11h59

O líder do centrão e candidato à Presidência da Câmara Arthur Lira (PP-AL) buscou se distanciar hoje do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e disse que seu principal adversário na disputa, o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), também faz parte da base aliada do governo, assim como ele.

"Não tenho dono, não tenho chefe, não tenho tutor, não tenho patrocinador", afirmou Lira, em coletiva pela manhã, em Brasília.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto nutre simpatia pela candidatura de Lira e busca apoiá-lo. Bolsonaro e Lira se aproximaram no início do ano passado quando o centrão acabou por formar a base aliada do governo na Câmara. Na época, o governo queria o suporte de mais deputados para aprovar matérias de seu interesse e barrar qualquer eventual avanço de um processo de impeachment contra Bolsonaro.

O discurso de Baleia Rossi na tentativa de convencer deputados a ficarem ao seu lado é que, se Lira for eleito, este priorizará as pautas e as vontades do Planalto. Ou seja, sua argumentação é de que a Câmara ficaria dependente do governo Bolsonaro. A candidatura de Baleia tem por trás o atual presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), e se coloca na campanha como o verdadeiro candidato por uma Casa "independente".

Arthur Lira também prega ser independente e, hoje, ressaltou insistentemente não estar atrelado a "intermediários".

"Minha candidatura independe de apoio externo. Ela é construída na base com os deputados. Ouvindo e discutindo com cada partido", disse.

Ao longo da fala, Lira defendeu que, ao contrário do que Baleia busca propagandear, seu adversário é tão da base do governo quanto ele. Para Lira, diante dos discursos atuais de Baleia, há um centrão "gourmetizado" que, "dependendo do prato e da conveniência, come caviar".

"O que o MDB sempre foi? O que os partidos de centro sempre foram? Sempre foram o sustentáculo das matérias mais difíceis desse país", falou, ao usar como exemplo a aprovação da reforma da Previdência. "Qualquer um que negue hoje o que é para vender o que não é é muito preocupante, porque vira uma interrogação dupla."

"O outro candidato é tão base de governo como eu. Que fique claro: o outro candidato é tão base de governo quanto a minha candidatura. As duas são da base do governo. O que acho que me diferencia do outro candidato é que sou exclamação. Sou afirmativo, reto, franco, direto. Não tenho dono, patrão, intermediário. Ando com meus deputados dos estados. Não ando tutelado por ninguém", disse Lira.

Ainda que tenha reforçado que a Câmara será independente perante o Planalto se eleito, Lira lembrou candidatos à Presidência da Casa que contaram com o apoio do presidente da República à época, como Aécio Neves (PSDB), Michel Temer (MDB), Marco Maia (PT), Arlindo Chinaglia (PT) e o próprio Rodrigo Maia. Ao seu ver, mesmo com esse suporte, eles conduziram gestões independentes à frente da Câmara.

Questionado se colocará em votação pautas defendidas por bolsonaristas, como as de costumes - pacote de propostas como armamento, homeschooling e aborto, por exemplo - Lira disse não ter preconceito sobre qualquer assunto e, se alguma proposta tiver consenso da maioria do colégio de líderes e estiver amadurecido na sociedade, deverá ser analisada em plenário.

"Não vou engavetar projeto que eu não concorde. Não vou pautar projeto que eu ache que é o correto", disse. "O presidente da Casa não fará opinião de valor com relação a um projeto ou outro."

Se vencer a disputa, Arthur Lira disse prever instalar a Comissão Mista de Orçamento na primeira semana de fevereiro e aprovar o projeto da Lei Orçamentária Anual de 2021 no colegiado até a primeira quinzena do mesmo mês. A CMO ficou travada e não funcionou no ano passado devido a disputas políticas do grupo de Lira e Maia visando as eleições à Presidência da Casa.

Depois do Orçamento 2021, Lira disse que irá priorizar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial - embora esteja tramitando atualmente no Senado e dependa desta Casa -, a reforma administrativa e, por último, a reforma tributária. O objetivo dele é aprovar todos os três temas ainda no primeiro semestre deste ano.

O líder do centrão também criticou o fato de Baleia Rossi ter se aliado ao PT supostamente se comprometendo a analisar pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro, se eleito ao comando da Câmara, mesmo que não os abra.

Nessa semana, Lira viaja pelos estados do Centro-Oeste e do Nordeste junto a aliados em busca de consolidar votos e atrair deputados de partidos no bloco de Baleia Rossi. Na semana passada, Lira esteve na região Norte e no Mato Grosso.

Ele reúne cerca de 196 parlamentares nas siglas que o apoiam - PL, PP, PSD, Republicanos, Solidariedade, Pros, Patriota, PSC e Avante.

O bloco de Baleia Rossi conta hoje com 11 partidos, tanto de centro quanto de esquerda - MDB, PSDB, DEM, PSL, Cidadania, PT, PSB, Rede, PCdoB, PDT e PV. Juntas, as siglas somam 261 parlamentares.
Baleia começou a viajar na última sexta-feira (8), quando esteve no Piauí. Hoje, está em Florianópolis, em Santa Catarina.

Como o voto é secreto, isso possibilita mudanças de opinião na hora da votação de ambos os lados.

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