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7 meses

Após registro da Anvisa, prefeitos cobram Pazuello sobre compra da Pfizer

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, será cobrado pela Frente Nacional de Prefeitos a destravar compra da vacina contra covid-19 - Carolina Antunes/PR
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, será cobrado pela Frente Nacional de Prefeitos a destravar compra da vacina contra covid-19 Imagem: Carolina Antunes/PR

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

23/02/2021 11h20Atualizada em 24/02/2021 07h44

A FNP (Frente Nacional de Prefeitos) vai cobrar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para destravar as negociações e garantir a compra de vacinas da Pfizer. O laboratório americano recebeu hoje (23) o registro definitivo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aplicação de doses contra o novo coronavírus. Com o acordo de compra emperrado, o país não tem vacinas desta empresa para aplicar (leia mais abaixo).

"Nossa força vai se concentrar em cobrar do Ministério a compra da vacina, desenrolar", disse ao UOL, o presidente da FNP, Jonas Donizette (PSB).

A FNP representa prefeitos de todas as capitais e de cidades com mais de 80 mil habitantes, onde estão cerca 61% dos habitantes do país. O grupo oficializará as cobranças a Pazuello ainda hoje.

"Nessa questão da Pfizer, especificamente, o nosso foco vai ser para que o governo adquira as vacinas. Porque os prefeitos já provaram que têm grande mobilização local, de velocidade de vacinação. Se a gente tiver a vacina, podemos até junho ter a nossa população imunizada. E isso significa uma recuperação de mais 2 pontos no PIB [Produto Interno Bruto] do país", avaliou Donizette.

O prefeito disse que a entidade é contra a compra de vacinas de maneira independente por estados e municípios. Ele entende que o ideal é a coordenação do governo federal sobre o tema e que sejam feitos ajustes de logística. Isso porque a primeira informação era de que essa vacina precisaria ser armazenada em temperatura de -70ºC - agora, a empresa já admite que ela pode ser conservada -15°C e -25°C por 20 dias.

"Se a Pfizer já vendeu para tantos países e países que têm até grau de exigências superiores aos nossos, por que não fazer esse acordo comercial?", questionou Donizette?

Na manhã de hoje (23), o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, informou que foi aceito o registro da vacina da Pfizer, desenvolvida em parceria com a Biontech. Diferentemente do uso emergencial - que está aprovado para imunizantes do Butantan e Fiocruz - o registro permite a comercialização e aplicação em massa.

A decisão da será publicada em edição extra do Diário Oficial da União ainda hoje.

Entrave

O governo brasileiro negocia, desde o primeiro semestre do ano passado, a compra de vacinas da Pfizer. A empresa informou que durante as tratativas ofereceu 70 milhões de doses da vacina, mas as negociações não avançaram.

O ministro da Saúde considera que o laboratório impõe "cláusulas leoninas" ao governo brasileiro. A farmacêutica quer que o governo se responsabilize por eventuais demandas judiciais decorrentes de efeitos adversos da vacina e que questões jurídicas sejam analisadas nos Estados Unidos.

Ontem, representantes da farmacêutica participaram de uma sessão no Congresso, e senadores se prontificaram a intermediar as negociações com o ministério.

Durante o encontro, as farmacêuticas indicaram que não vão abrir mão das condições que negociam com a pasta. Uma delas, por exemplo, é que o governo se responsabilize por eventuais demandas judiciais por reações adversas.

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