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1 mês

"Não vão me fazer desistir porque sou imbrochável", diz Bolsonaro

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

26/02/2021 13h21Atualizada em 26/02/2021 21h54

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que ninguém vai fazê-lo "desistir" e que ele é "imbrochável". Ele disse ser alvo de constantes "ataques", depois de reclamar de políticos que determinam isolamento social contra a pandemia de coronavírus. Horas antes, publicou em rede social críticas ao ex-coordenador da Lava Jato no Ministério Público Deltan Dallagnol, em que reclamou de "perseguição" à sua família e disse que a quebra de sigilos de seu filho no caso das "rachadinhas" foi "criminosa"

"Não reclamo das dificuldades", disse Bolsonaro, em evento em Tianguá (CE). "Ataques acontecem praticamente 24 horas por dia, mas, entre esses ataques e vocês, vocês estão muito na frente. Não vão me fazer desistir porque, afinal de contas, eu sou imbrochável."

O presidente voltou a criticar o isolamento físico ordenados por governadores para conter o avanço mais forte do coronavírus no país. Na quinta-feira, o país registrou mais de 1.500 mortos.

"[Vou] dizer a esses políticos do Executivo que o que eu mais ouvi por aqui é: 'Presidente, eu quero trabalhar'. O povo não consegue mais ficar dentro de casa. Esses que fecham tudo e destroem empregos estão na contramão daquilo que seu povo quer."

O governo Camilo Santana (PT-CE) disse que não participaria do lançamento de obras para não causar aglomerações. "Não me critiquem", disse Bolsonaro, sem revelar nomes. "Vá para o meio do povo mesmo depois das eleições. Durante as eleições é muito fácil."

Bolsonaro prometeu que, quando deixar o governo, o país estará muito melhor que quando assumiu, em janeiro de 2019. "Quando deixar meu governo, mesmo com a pandemia, eu vou entregar um país muito melhor do que aquele que recebei em janeiro de 2019."

Em 2018, último ano do presidente Michel Temer (MDB), o crescimento da economia foi de 1,3%. Em 2019, quando Bolsonaro assumiu, o país desacelerou: o PIB foi de 1,1%. É esperada uma queda no crescimento em 2020 por causa de pandemia de coronavírus, assim como em outros país

As declarações foram dadas durante o evento de assinatura de ordens de serviço para retomar obras em uma travessia urbana na BR-222, no município de Tianguá (CE), novos traçados de rodovia em Umirim (CE) e no distrito de Frios e um viaduto que dá acesso a Horizonte (CE), na BR-116.

Horas depois, Bolsonaro visitou as obras de duplicação da BR-222, em Caucaia (CE), e do anel viário da capital cearense. De acordo com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, até março o governo deve entregar seis quilômetros da duplicação. Outros seis quilômetros devem ser entregues até junho.

O presidente voltou a criticar governadores e repetir o discurso que o país precisa conciliar o combate à covid-19 sem fechar estabelecimentos para fortalecer a economia. A declaração foi dada na semana em que o Brasil teve o recorde de mortes pela doença em 24 h (1.582), segundo dados do consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte, e que também foi divulgada a maior taxa de desemprego anual (13,5%, em 2020), de acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"Essa politicalha do 'fica em casa a economia a gente vê depois' não deu certo e não vai dar certo", afirmou Bolsonaro.

No evento, Bolsonaro agradeceu o apoio da população para sua eleição em 2018 e enalteceu as entregas do governo. "Nós sabíamos que não seria fácil, mas os inimigos podem ter certeza de uma coisa: nós não nos entregaremos. Estamos aqui hoje apresentando uma parte do serviço feito pelo nosso ministro Tarcísio, da Infraestrutura. Como vocês podem notar, é um serviço de qualidade, coisa que nunca teve aqui no Ceará", disse.

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