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8 meses

Após Lira falar em 'remédio fatal', Bolsonaro nega atrito: 'Zero problema'

Jair Bolsonaro e Arthur Lira, nesta quinta, depois de o deputado subir o tom contra Bolsonaro, avisando que "tudo tem limite"  - Ueslei Marcelino/Reuters
Jair Bolsonaro e Arthur Lira, nesta quinta, depois de o deputado subir o tom contra Bolsonaro, avisando que 'tudo tem limite' Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Hanrrikson de Andrade e Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

25/03/2021 12h42Atualizada em 25/03/2021 16h23

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou hoje que tenha ocorrido atrito com o chefe da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL), depois que o parlamentar subiu o tom, ontem, em declarações sobre a atuação do governo no combate à pandemia do coronavírus.

Sem fazer menção direta a Bolsonaro, o congressista afirmou que "tudo tem limite" e que há "remédios políticos amargos e alguns fatais" a serem usados pelo Parlamento — em referência velada à possibilidade de impeachment. O recado foi interpretado nos bastidores como uma ameaça.

O presidente jé alvo de dezenas pedidos de impeachment que se encontram na gaveta da Presidência da Câmara desde que o posto era ocupado por Rodrigo Maia (DEM-RJ), antecessor de Lira. Basta que o atual comandante dê aval a um dos requerimentos para que a investigação seja, no mínimo, instalada. A partir daí, há o rito processual que demanda análises em comissões e no plenário das duas Casas (Câmara e Senado).

Esta foi a primeira vez que Lira, alçado à presidência da Câmara com o apoio de Bolsonaro, fez menção à ameaça de impeachment contra o presidente, em um momento em que o chefe do Executivo tenta atrair Legislativo e Judiciário para a coordenação da pandemia.

Hoje, em gesto simbólico, Bolsonaro acompanhou Lira até a portaria do Palácio do Planalto depois de recebê-lo em seu gabinete. O encontro não consta na agenda oficial do presidente. A cena inesperada teve como objetivo transmitir à imprensa e à sociedade uma mensagem de união.

O ato ocorre um dia após as declarações de Lira e também do anúncio de criação, um ano depois do início da pandemia, de um comitê gestor de enfrentamento da crise sanitária. O grupo deverá ser comandado pelo presidente da República, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) será o porta-voz dos governadores.

Na caminhada lado a lado com Lira ate a saída do Planalto, Bolsonaro afirmou que o deputado é "um velho amigo de Parlamento" e que "torceu por ele" na disputa pela chefia da Câmara. Também disse que há "zero problema" entre eles.

Conversei com o Lira. Não tem problema nenhum entre nós. Zero problema. Conversamos sobre muitas coisas, tá? E o que nós queremos, juntos, é buscar uma maneira de contratarmos mais vacinas"
Jair Bolsonaro, presidente da República

O presidente comentou ainda a dificuldade para adquirir mais vacinas e citou fato de que a União Europeia também tem encontrado adversidades para comprar imunizantes. "Vários países com problema", disse.

O deslocamento de Bolsonaro por áreas comuns do Planalto, fato completamente atípico na rotina do palácio, pegou a imprensa de surpresa e provocou aglomeração em volta das autoridades. Além dos chefes do Executivo federal e da Câmara, ministros também participaram do gesto simbólico.

Bolsonaro se negou a comentar a situação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que tem sido duramente criticado e pressionado a deixar o cargo. Ao ouvir a pergunta feita por um jornalista, o presidente se manteve em silêncio.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.