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'O que se tem que mudar é a política externa do Brasil', diz Pacheco

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Palácio da Alvorada, nesta quarta (24) - Mateus Bonomi/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Palácio da Alvorada, nesta quarta (24) Imagem: Mateus Bonomi/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

25/03/2021 15h52Atualizada em 25/03/2021 16h49

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou hoje ser preciso mudar a política externa do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo Pacheco, houve muitos erros no enfrentamento à pandemia do coronavírus e um deles foi a de não estabelecer uma relação diplomática mais produtiva com países que poderiam ajudar o Brasil.

Para Pacheco, "ainda está em tempo de mudar para poder salvar vidas". Questionado se defende a saída do atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com o cargo em jogo após pressão ferrenha do Congresso Nacional, Pacheco disse que qualquer troca cabe somente ao presidente da República.

Mesmo assim, o senador disse que a gestão do Itamaraty está "muito aquém do desejado para o Brasil", em clara crítica a Ernesto.

"Muito além da personificação ou do exame sobre o trabalho específico de um chanceler, o que se tem que mudar é a política externa do Brasil. Evidentemente que ela precisa ser aprimorada, melhorada. As relações internacionais precisam ser mais presentes num ambiente de maior diplomacia. Isso é algo que está evidenciado a todos, não só no Congresso Nacional, mas a todos os brasileiros que enxergam essa necessidade de o Brasil ter uma representatividade externa melhor do que tem hoje", declarou Pacheco, em coletiva ao lado do líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO).

Ernesto Araújo falou em audiência ontem a senadores. Ele foi duramente criticado pelos parlamentares e não foi defendido com veemência pelos governistas. Pelo contrário, até integrantes do centrão, hoje a base aliada do governo no Congresso, defendem a saída imediata do chanceler.

O clima piorou ainda mais após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tornar o mal-estar público em discurso cheio de recados ao governo em plenário. O centrão já reconsidera até onde vai apoiar Bolsonaro.

Pacheco disse que o pronunciamento de Lira foi "uma demonstração de insatisfação, porque, de nossa parte no Congresso Nacional, tanto Câmara quanto Senado, estamos buscando de todas as formas ter um ambiente de consenso, de pacificação, de busca de soluções, e isso precisa também do outro lado por parte do governo federal ter essa mesma postura e essa mesma vontade".

Hoje, Ernesto Araújo se reuniu com Lira para tentar apaziguar a situação. Depois, o presidente da Câmara se reuniu com Bolsonaro. Este procurou negar haver problemas na relação com Lira. Pacheco disse não ter sido procurado por Ernesto hoje.

Pacheco critica gesto "completamente inapropriado"

Na audiência do Senado ontem, o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência e um dos principais integrantes da ala ideológica do governo, Filipe Martins, fez uma movimentação com a mão direita que pode ser compreendida por alas da sociedade como um gesto obsceno ou símbolo de ódio adotado por militantes de extrema-direita.

Após o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se atentar ao gesto, Rodrigo Pacheco mandou a Polícia Legislativa investigar o ato. O presidente da Casa chamou o episódio como "gesto completamente inapropriado para o ambiente do Senado Federal".

"Não podemos ter pré-julgamentos em relação ao fato, mas, verdadeiramente, vendo as imagens, nós identificamos um gesto completamente inapropriado para o ambiente do Senado Federal", disse, ao acrescentar que o Senado "não é lugar de brincadeira".

Pacheco ainda repudiou qualquer ato que envolva racismo ou obscenidade.

Filipe Martins alega que estava apenas ajeitando a lapela do terno.

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