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8 meses

Ernesto Araújo tem dia de agradecimento e troca de farpas nas redes sociais

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo - WALLACE MARTINS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo Imagem: WALLACE MARTINS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

28/03/2021 18h57Atualizada em 28/03/2021 22h43

Pressionado a deixar o comando do Itamaraty, o ministro Ernesto Araújo usou hoje as redes sociais para agradecer a manifestações de apoio que tem recebido na tentativa de ganhar uma sobrevida. O chanceler também alfinetou a senadora Kátia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, grupo responsável por avaliar e votar indicações de embaixadores enviadas pelo Itamaraty.

A Casa tem mobilizado forças para cobrar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a demissão do atual chefe da pasta das Relações Exteriores. O pleito é endossado por Kátia, que tem feito críticas à gestão do chanceler. Hoje, no Twitter, Araújo relacionou a atuação da parlamentar com um suposto lobby em favor da China na disputa para explorar a tecnologia 5G no Brasil.

No Twitter, o ministro revelou conversa que teve com Kátia a respeito das negociações referentes à implementação da tecnologia 5G no país. De acordo com a Folha de S.Paulo, nos bastidores, Araújo relaciona o lobby chinês —o país asiático é um dos principais interessados em explorar o 5G no Brasil— às movimentações no Congresso para derrubá-lo.

"Em 4/3 recebi a Senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final, à mesa, disse: 'Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado.' Não fiz gesto algum", publicou ele.

Na sequência, Araújo afirmou: "Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio Presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria."

Em nota, Kátia confirmou ter conversado com Araújo, mas afirmou que "é uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade".

Na visão dela, "o Brasil não pode mais continuar tendo, perante o mundo, a face de um marginal. Alguém que insiste em viver à margem da boa diplomacia, à margem da verdade dos fatos, à margem do equilíbrio e à margem do respeito às instituições. Alguém que agride gratuitamente e desnecessariamente a Comissão de Relações Exteriores e o Senado Federal".

"Defendi que os certames licitatórios não podem comportar vetos ou restrições políticas. Onde está em jogo a competitividade de nossa economia, como no caso do leilão do 5G, devem prevalecer os critérios de preço e qualidade", completou a senadora, citando um artigo escrito por ela e publicado pela Folha.

Queda após várias falhas

No começo da tarde de hoje, Ernesto Araújo fez um post no Twitter para agradecer o apoio que tem recebido em meio ao período de instabilidade enfrentado por ele, citando um trecho do Hino da Independência. Na foto publicada, aparece um marco de fronteira do século 18, exibido ao lado do palácio Itamaraty, em Brasília.

A queda de Araújo tem sido costurada principalmente pelo Congresso Nacional, com protagonismo para os presidentes Arthur Lira (PP-AL), da Câmara, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do Senado. Mas o movimento também é avalizado por militares, aliados, diplomatas e empresários.

A avaliação comum a vários setores dentro do governo é de que a gestão do chanceler falhou em vários temas e teria contaminado a diplomacia brasileira vieses ideológicos. Uma das críticas mais contundentes se dá em uma suposta insuficiência do Itamaraty no diálogo para aquisição de vacinas e insumos fundamentais no combate à pandemia do coronavírus.

Ontem (27), 300 diplomatas divulgaram carta na qual acusam a política externa de causar graves prejuízos à imagem do Brasil.

Segundo interlocutores de Bolsonaro, a demissão tem ficado cada vez mais próxima. O presidente, por outro lado, tem simpatia pela figura do ministro e buscaria uma saída honrosa para ele.

Uma das alternativas que foram cotadas durante a semana passada seria trocar a permanência de Araújo pela demissão do assessor especial do Planalto Filipe G. Martins, um dos remanescentes da chamada "ala olavista" dentro do governo. O Senado, no entanto, resiste à oferta.

Como elemento de pressão para forçar a demissão do chanceler, o Parlamento já alertou Bolsonaro de que pretende barrar as indicações do ministério enquanto o chanceler não for destituído.

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