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15 dias

Bolsonaro quis falar, diz Kajuru sobre impeachment de ministros do STF

Hanrrikson de Andrade, Andreia Martins e Allan Brito

Do UOL, em Brasília e em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

14/04/2021 11h31

O senador Jorge Kajuru, que anunciou a sua saída do partido Cidadania, afirmou que não pediu que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falasse sobre impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e que foi ele quem quis abordar o assunto. "A questão do STF não fui eu que perguntei. Ele que quis falar. Eu ia falar para ele parar? Não sou assessor dele", afirmou o senador durante o UOL Entrevista, conduzido pelo colunista Tales Faria e pela repórter Luciana Amaral.

As declarações foram dadas pelo presidente em uma conversa por telefone com o senador. Kajuru gravou a conversa e divulgou trechos no final de semana. Neles, Bolsonaro comenta sobre a CPI da Covid e pressiona o senador a ingressar com pedidos de impeachment contra ministros. Bolsonaro dá a entender que, se houver pedidos de impeachment contra ministros da Corte, podem ocorrer mudanças nos rumos sobre a instalação da comissão.

"Você tem de fazer do limão uma limonada. Tem de peticionar o Supremo para colocar em pauta o impeachment [de ministros] também", disse Bolsonaro ao senador. "Sabe o que eu acho que vai acontecer, eles vão recuperar tudo. Não tem CPI... não tem investigação de ninguém do Supremo", disse Bolsonaro, durante a conversa. Kajuru respondeu que já tinha entrado com pedido de afastamento do ministro do STF Alexandre de Moraes, ao que Bolsonaro respondeu: "Você é 10".

Kajuru afirmou ainda que não teve o intuito de prejudicar o presidente com a gravação, mas, sim, de amenizar a relação entre ele e os senadores.

"O sujeito que falar que eu quis prejudicar é sem cérebro. Minha intenção exclusiva foi para amenizar relação do Senado com ele. Até sábado passado, ele estava chamando todos os senadores de canalhas, [dizendo] que queriam fazer CPI para prejudicar o governo. Eu falei que os senadores querem uma CPI independente e não revanchista", completou.

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