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1 mês

CPI em MG: ex-assessor confirma vacinação de servidores em home-office

CPI investiga casos de servidores que furaram fila para serem vacinados em Minas Gerais - REUTERS
CPI investiga casos de servidores que furaram fila para serem vacinados em Minas Gerais Imagem: REUTERS

Daniela Mallmann

Colaboração para UOL, em Belo Horizonte

29/04/2021 17h05Atualizada em 29/04/2021 18h35

Em depoimento à CPI dos Fura Filas, o ex-assessor-chefe de comunicação social da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais Everton Luiz Lemos de Souza confirmou a vacinação de dois servidores da pasta que estavam em home-office.

A voz dele foi uma das identificadas no áudio que vazou na semana passada, no qual o ex-assessor-chefe e o ex-chefe de gabinete da secretaria João Pinho participam de uma reunião com mais três pessoas. No encontro, Pinho é suspeito de tentar burlar a CPI dos Fura Filas para proteger esses dois servidores que foram vacinados mesmo estando em teletrabalho.

Na gravação, Pinho sugere a Everton que os trabalhadores comecem a ir presencialmente ao gabinete por pelo menos quatro vezes na semana, para que não sejam expostos pelo presidente da CPI, João Vitor Xavier (Cidadania), e pela promotora de Justiça de Defesa da Saúde de Belo Horizonte, Josely Ramos.

Hoje, em depoimento à CPI, o ex-assessor confirmou a vacinação dos dois servidores. "Foi constatado que dois servidores em regime de teletrabalho haviam sido vacinados. Na primeira dose eles estavam como trabalho presencial", explicou Souza.

Segundo o presidente da CPI, o depoimento do ex-assessor foi fundamental para comprovar que servidores receberam a dose da vacina contra a covid-19 mesmo estando em home-office.

"(A gravação) traz aí possibilidade de obstrução de justiça, falsidade ideológica, prevaricação, que são todos crimes do nosso Código Penal e é possível se analisar essa possibilidade naqueles 25 minutos de gravação", afirmou Xavier.

Ele relembrou também que os documentos enviados para o Ministério Público e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais tinham informações falsas, pois não indicavam que os dois servidores estavam em home-office. "Temos aí um indício muito, muito robusto de que nós tivemos um crime de falsidade ideológica no envio dessa documentação", declarou.

Já o ex-assessor alegou não ver ilegalidade no conteúdo do áudio que foi vazado e afirma que não teve envolvimento algum no esquema de vacinação da Secretaria de estado de saúde. "Eu não participei do processo de vacinação, não participei do processo decisório relacionado a vacinação e não fui vacinado", afirmou Souza.

Pinho também deveria depor hoje, mas a sua defesa solicitou o adiamento para segunda-feira (3), o que foi atendido. "Este depoimento do João Pinho é muito importante. Ele era chefe de gabinete, ele participou das duas gestões, da gestão anterior que foi afastada e da atual gestão. Ele é um elo dessas duas gestões", avaliou o presidente da CPI.

Everton e Pinho foram convocados pela CPI dos Fura Filas na condição de investigados. Ambos foram exonerados dos cargos na semana passada. Além deles, Carlos Eduardo Amaral foi exonerado do cargo de secretário estadual de Saúde e substituído por Fábio Baccheretti.

Em nota, o Governo do Estado de Minas Gerais disse que tem colaborado com todas as denúncias relativas ao processo de vacinação dos servidores.

CPI foi aberta há um mês

A CPI dos Fura Filas foi instaurada em 18 de março, depois que o MPMG (Ministério Público do Estado de Minas Gerais) e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais receberam denúncias sobre servidores da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais que teriam recebido a vacina contra a covid-19 sem estarem em grupos prioritários, entre eles o então secretário estadual, Carlos Eduardo Amaral, e o então secretário adjunto, Marcelo Cabral.

Na época, Amaral alegou que os profissionais foram imunizados por atuarem linha de frente do combate a pandemia, no entanto, alguns deles receberam a dose mesmo realizando trabalhos administrativo, de comunicação ou em home-office.

Mais de 800 profissionais da saúde estadual que trabalham na Cidade Administrativa, sede do governo mineiro, estão sendo investigados pelo Ministério Público e Assembleia Legislativa de Minas Gerais além de outros 1.800 profissionais lotados no interior do estado. A comissão tem até 120 dias, com possibilidade de prorrogação de 60 dias, para divulgar um resultado sobre as apurações.

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