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CPI: Senador lê pergunta que Mandetta diz ter recebido também de ministro

Lucas Valença

Colaboração para o UOL, em Brasília

04/05/2021 15h00Atualizada em 04/05/2021 17h32

Questionado na CPI da Covid pelo líder do centrão no Senado, Ciro Nogueira (PP-PI), sobre a recomendação que deu para que as pessoas só se dirigissem a hospitais após sentirem sintomas mais graves da covid, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que a "mesma pergunta" chegou a ser enviada a ele pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Ontem, eu recebi essa pergunta, exatamente nessa íntegra do ministro Fábio Farias. Acho que ele inadvertidamente mandou para mim a pergunta. Quando eu ia responder, ele apagou a mensagem. Então vou responder para o senhor e também para o meu amigo Fábio Faria"
Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde.

"Quando temos doenças virais, você tem alguns princípios e questionamentos a fazer: temos vacina? Não temos. Temos medicamento retroviral? Não. Como vamos conduzir? Vamos observar o paciente, vamos vê-lo, vamos cuidar desse paciente", respondeu Mandetta.

Antes, o ministro afirmou que, quando fez a declaração, o Brasil ainda não tinha registro de nenhum contaminado pela covid.

Após a fala de Mandetta, o ministro das Comunicações postou no Twitter um vídeo em que questiona se o ex-titular da Saúde não se arrepende da antiga recomendação. Ele acrescenta também que o senador Ciro Nogueira é amigo dele.

Comentei com ele. Já tinha falado disso em várias entrevistas e nunca tinha ouvido palavra do senhor. Então, quem sabe agora, na CPI, seja o momento em que o senhor possa esclarecer isso para os brasileiros"
Fábio Faria, ministro das Comunicações.

Há uma semana, o jornal "O Globo" revelou que requerimentos de convocação e de pedidos de informações a estados e municípios, enviados ao colegiado, foram elaborados dentro do Palácio do Planalto. A informação gerou críticas da cúpula da CPI.

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), chegou a declarar que a comissão não aceitará "interferência externa".

"Algo que não permitiremos é que essa CPI sofra interferência", disse o parlamentar na última quinta-feira (29) quando apresentou, ao lado do relator, senador Renan Calheiros, o Plano de Trabalho do colegiado.

Os pedidos considerados "contaminados" pelos senadores não chegaram a aprovados pela CPI e já foram descartados.

Criada no Senado após determinação do Supremo, a comissão formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição) investigará ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.