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1 mês

Josias: Fala de Bolsonaro sobre China mostra que problema não era só Araújo

Do UOL, em São Paulo

06/05/2021 08h44Atualizada em 06/05/2021 11h28

As declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que insinuou que o coronavírus pode ter sido criado em um laboratório chinês, mostram que o problema na diplomacia brasileira não era apenas o viés ideológico adotado pelo ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, afirmou o colunista do UOL Josias de Souza em participação no UOL News na manhã de hoje.

"É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?", afirmou Bolsonaro ontem durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília.

A declaração do presidente contraria relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), que investigou as origens do coronavírus e disse que é pouco provável que a covid-19 tenha surgido a partir de um vírus de laboratório.

Para Josias de Souza, a declaração de Bolsonaro prejudica ainda mais uma relação já estremecida com a China, principal parceiro comercial do Brasil, e pode trazer maiores dificuldades nas negociações de vacinas e insumos. Atrasos no envio de IFA (ingrediente farmacêutico ativo) já prejudicaram a produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan e fez com que diversas cidades suspendessem a aplicação da segunda dose do imunizante.

Quando o presidente volta a atacar a China, ele mostra que a chance de correção de rumo é inexistente e que o problema não é o chanceler, é o presidente.
Josias de Souza, ao UOL News

O colunista lembrou ainda que durante a corrida presidencial de 2018, Bolsonaro prometeu uma diplomacia sem viés ideológico, mas descumpriu a promessa e escolheu Ernesto Araújo para comandar o Itamaraty.

Araújo foi substituído por Carlos Alberto França, após forte pressão de parlamentares para sua saída do cargo.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.