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1 mês

'Pressionado, Bolsonaro apela para base mais fiel', diz Diogo Schelp

Do UOL, em São Paulo

17/05/2021 12h58Atualizada em 17/05/2021 13h16

O colunista do UOL Diogo Schelp disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está se sentindo pressionando e eleva o tom do discurso para apelar aos apoiadores mais fiéis. Em conversa na manhã de hoje, Bolsonaro chamou de "idiotas" as pessoas que ficam em casa para evitar a disseminação do coronavírus.

"Quando o presidente se sente pressionado, ele dobra a aposta. Esse tipo de atitude que ele teve nas últimas semanas, e hoje novamente, é justamente o objeto de investigação da CPI, que está cercando ações negacionistas do governo sobre a gravidade da pandemia e sobre as medidas recomendadas por especialistas", afirmou ao UOL News.

Schelp relembrou o depoimento do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta na CPI da Covid. "Ele deixou claro que havia oposição do presidente em aceitar medidas de distanciamento social no início da pandemia".

O presidente se vê cercado, pressionado e o que ele faz é apelar para a base mais fiel dele. Isso exige que ele eleve o tom do discurso com mais agressividade".
Diogo Schelp no UOL News

Bolsonaro também enalteceu o agronegócio, que o homenageou em um ato na Esplanada dos Ministérios no sábado (15). Ele disse que o homem do campo não parou durante a pandemia e, assim, garantiu alimentos para quem deixou de sair às ruas.

"Desnecessário falar, mas quando ele faz a comparação com agricultores, ele esquece que existem inúmeras atividades profissionais que continuaram atuando durante a pandemia nas cidades, ou fora delas, porque eram essenciais, como os caminhoneiros, caixas de supermercado, policiais e profissionais de saúde", disse Schelp. "Muito convenientemente ele omite toda essa realidade".

CPI da Covid ouve personagens importantes

Schelp ainda destacou que a CPI da Covid vai ouvir o depoimento de três personagens importantes para explicar a questão do desabastecimento de insumos e do colapso em Manaus, no início do ano.

Ele disse que os senadores podem questionar a demora do governo em aceitar ajuda da Venezuela para o transporte de oxigênio a Manaus. A questão deve ser abordada no depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

"Pazuello tem o direito de ficar calado então os senadores precisam de uma estratégia para evitar o tema da atuação de Pazuello em Manaus, que já é alvo de investigação da Polícia Federal", afirmou Schelp. "Podem ser questionadas as ações do governo como um todo".

Também presta depoimento a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como "capitã cloroquina". Schelp ressalta que ela é grande defensora da hidroxicloroquina e pressionou UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Manaus a prescreverem o medicamento sem eficácia comprovada contra a covid-19.

"[Isso aconteceu] justamente no momento em que Manaus estava à beira do colapso", disse Schelp.

Ele também ressalta o depoimento do ex-ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. "Ele é considerado nocivo para os esforços que o Brasil teve para conseguir insumos e vacinas".

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