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Fora da CPI ruge como leão, dentro mia como gatinho, diz Randolfe de Araújo

Senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI da Covid - Adriano Machado/Reuters
Senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI da Covid Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

18/05/2021 22h16

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, disse hoje que o ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo pode ter omitido informações em seu depoimento. Ele questionou a postura do ex-ministro durante sua participação na comissão e disse que ele se comporta de forma diferente nas redes sociais.

Em entrevista à CNN Brasil, Randolfe foi questionado se acreditava que o ex-ministro tinha mentido na CPI da Covid. "No mínimo omitiu. O Ernesto Araújo que falou hoje na CPI não é o mesmo Ernesto Araújo que brada no Twitter, que brada no seu blog. Fora da CPI ele ruge como leão, chegando na CPI mia como um gatinho", respondeu o senador.

O vice-presidente da CPI afirmou ainda que as gravações e transcrições do depoimento de Ernesto Araújo serão checadas e, se for constatado que o ex-chanceler mentiu, os membros da CPI enviarão um despacho ao Ministério Público para que sejam tomadas as devidas providências.

Ele disse também que a política externa conduzida por Ernesto Araújo continua impactando o combate à pandemia no Brasil, citando o atraso no envio de insumos para a produção de vacinas. "Graves erros foram cometidos aí", afirmou.

'Ação coordenada nos levou a atoleiro sanitário'

Randolfe comentou ainda a fala do senador Marcos Rogério (DEM-RO), da base governista, que afirmou que a CPI da Covid só está tratando de assuntos "triviais". Para o vice-presidente da comissão, "a vida dos brasileiros não é algo trivial".

"Eu não considero 430 mil mortes algo trivial", disse. "Nós estamos vivendo a maior tragédia da história brasileira. O que nós estamos encontrando nesta CPI é que teve uma ação coordenada que nos levou a essa situação de atoleiro sanitário".

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.