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Conteúdo publicado há
6 meses

Aplicativo que recomendava cloroquina foi alvo de hacker, diz Pazuello

Rayanne Albuquerque e Hanrrikson de Andrade*

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

20/05/2021 11h04Atualizada em 20/05/2021 15h48

O ex-ministro Eduardo Pazuello disse hoje na CPI da Covid que a plataforma TrateCov, criada pelo Ministério da Saúde para recomendar o uso de cloroquina —medicamento sem eficácia científica comprovada— para combater a covid-19 foi hackeada.

O general do Exército afirmou que, ao tomar conhecimento do fato, pediu para que as instruções aos médicos para prescrição do medicamento fossem retiradas do ar.

Foi hackeado e puxado por um cidadão. Existe um Boletim de Ocorrência, uma investigação, que chega nessa pessoa. Ele foi descoberto, pegou esse diagnóstico, alterou com dados la dentro e colocou na rede pública. Quem colocou foi ele. Tem todo o boletim de ocorrência
Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde

Esse é o segundo dia de depoimento do ex-membro do governo, que iniciou a oitiva ontem (19). A audiência foi interrompida depois de mais de sete horas de duração devido à abertura da Ordem do Dia.

Nesse período, o depoente se sentiu mal e teve uma síndrome vasovagal, de acordo com o relato do senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico e deu assistência imediata ao ex-ministro.

Ao ouvir o depoimento, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que essa é "mais uma revelação" trazida à tona pela Comissão Parlamentar de Inquérito. O parlamentar disse que as informações repassadas por Pazuello neste segundo dia de oitiva reforçam a necessidade de "explicar o que aconteceu".

Durante audiência realizada ontem (18), o ex-ministro Eduardo Pazuello afirmou que o "TrateCov", aplicativo do Ministério da Saúde que recomendava o uso de cloroquina até para bebês, foi idealizado por Mayra Pinheiro.

A informação deu munição aos senadores da oposição, que aproveitam o gancho para pressioná-la a falar mais sobre o tema no depoimento de hoje.

A plataforma TrateCov foi tirada do ar em janeiro deste ano, depois que médicos, especialistas e autoridades em vigilância sanitária criticaram a ferramenta. O sistema chegou a ser lançado oficialmente por Pazuello e Mayra durante o período em que eles estiveram em Manaus.

Na ocasião, o Ministério da Saúde alegou que o aplicativo havia sido "invadido e ativado indevidamente" e disse que a retirada foi "momentânea". "Informamos que a plataforma TrateCOV foi lançada como um projeto-piloto e não estava funcionando oficialmente, apenas como um simulador."

* Com Ana Carla Bermúdez, colaboração para o UOL.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.