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Denúncia de corrupção na Saúde é 'escândalo cruel', diz Randolfe

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), durante sessão da CPI da Covid - Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), durante sessão da CPI da Covid Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

30/06/2021 11h10Atualizada em 30/06/2021 11h23

O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou hoje que a denúncia de suposto esquema de corrupção no Ministério da Saúde para a compra de vacinas contra a covid-19 é o "escândalo mais cruel" que se tem conhecimento no país.

Corrupção sempre é um crime trágico, imagina falar de corrupção quando brasileiros estão morrendo no meio da pandemia. Não é o primeiro nem último, mas é o mais cruel escândalo de corrupção do Estado brasileiro.
Randolfe Rodrigues, em entrevista ao canal GloboNews

Reportagem publicada ontem pelo jornal "Folha de S.Paulo" traz o depoimento de um representante de uma revendedora de vacinas que afirma ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose para fechar contrato com o Ministério da Saúde.

Segundo o jornal, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, disse que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina em um jantar em 25 de fevereiro. Dias foi exonerado do cargo após a publicação da reportagem.

"Enquanto chegávamos a 250 mil, a meio milhão de mortos, tinha gente ganhando dinheiro", declarou Randolfe.

'Modus Operandi'

O senador afirmou que a CPI talvez tenha identificado um possível "modus operandi" da corrupção no Ministério da Saúde. Segundo ele, esse tipo de negociação com a participação de representantes e intermediários acontece também com outros insumos adquiridos pela pasta, como preservativos.

Além disso, Randolfe disse que a nomeação de militares para o ministério, principalmente na gestão do general Eduardo Pazuello, fez com que novos participantes se juntassem a antigos integrantes do "centrão" que já atuavam na pasta.

"É uma coalizão de antigos negociantes com novos que chegaram agora, que talvez não sejam tão novos, mas que, talvez, estivessem afastados durante algum tempo dos negócios e são reestabelecidos aqui com o velho 'centrão' político", afirmou.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria era independente ou de oposição), investigou ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Teve duração de seis meses. Seu relatório final foi enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.