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4 meses

Freixo: 'Eleição brasileira de 2022 é a mais importante de nossa história'

Do UOL, em São Paulo

12/07/2021 10h32Atualizada em 12/07/2021 12h49

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) declarou hoje que as eleições de 2022 irão definir se o Brasil continuará com a Constituição de 1988. Na visão do parlamentar, esse será o pleito mais importante da história do país.

Em 2022, teremos a eleição mais importante de nossa história, que será o plebiscito da Constituição de 1988. Como um país acaba com sua democracia? Rasgando a Constituição. É o que o Bolsonaro faz todos os dias. Ele é um serial-killer da Constituição. A vitória de Bolsonaro é o fim da Constituição de 1988.
Marcelo Freixo

Com críticas à gestão federal, Freixo afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é de "destruição". O deputado participou do UOL Entrevista, conduzido pelo apresentador Diego Sarza e pelos colunistas Leonardo Sakamoto e Kennedy Alencar.

Eu acho que essa eleição brasileira de 2022 é a mais importante de nossa história. Nós vivemos 21 anos de uma ditadura civil-militar que custou muito caro ao Brasil. Nos trouxe um retrocesso civilizatório muito grande.
Marcelo Freixo

O deputado ainda apontou que as declarações de Bolsonaro contra a urna eletrônica são incoerentes, tendo em vista que, ao longo das quase três décadas de carreira pública, o presidente se elegeu com o sistema eleitoral vigente e nunca questionou.

Freixo afirmou que Bolsonaro ganhou eleições calcado na pauta de que ele "não é político, o que é uma farsa" e que nenhuma família é tão política quanto a do presidente.

O governo Bolsonaro é um golpe permanente nas instituições. O que o Bolsonaro está fazendo é questionar a urna eletrônica. O Bolsonaro é deputado há 30 anos, boa parte das eleições pela urna eletrônica. Bolsonaro elegeu sua ex-mulher, seus três filhos, tudo em urna eletrônica.
Marcelo Freixo

Impeachment de Bolsonaro

Ao longo do UOL Entrevista, Freixo também falou sobre a crescente pressão pelo impeachment do presidente Bolsonaro, que já contabiliza mais de 120 pedidos protocolados na Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem se posicionado contra a abertura de um processo de investigação e impedimento.

"Impeachment é um debate político. Mas é algo que você não faz contra um governo ruim", disse Freixo. "Governo ruim você derrota na urna. Impeachment você faz quando há crime". Para o deputado, Bolsonaro "quebrou todos os recordes da República [de crimes cometidos], inclusive [crime] de saúde pública no período da pandemia".

O impeachment não começa e não termina só como uma exigência legal. É um processo de desgaste, um processo político.
Marcelo Freixo

Na opinião do parlamentar, entretanto, não se pode banalizar o impeachment. "Quando o Lira fala que não podemos ter a cada governo um pedido de impeachment [aberto], é verdade", avaliou. Segundo ele, Bolsonaro tem tantos pedidos de impeachment "porque cometeu muitos crimes".

"Cada campanha pelo impeachment é um desgaste do Bolsonaro", afirmou. "Lira diz que não podemos banalizar o impeachment, porém diz que se tivermos um fato novo, não é o presidente que decide o impeachment mas é o impeachment que decide o presidente. Quando ele diz isso, ele está finalizando o seguinte: o galo está cozinhando. O que ele não quer é que coloquem fogo no fogão. A gente conhece como pensa o centrão", disse.

Centrão quer mais deputados

Sobre a base de Bolsonaro no Congresso, o chamado "Centrão", Freixo contou que um líder do bloco disse a ele que o foco para 2022 não será tentar eleger governadores, mas deputados federais. "O Centrão tem uma lógica parlamentar", afirmou. "Quanto mais deputados federais, maior a sua capacidade de articulação e de negociação com qualquer governo", disse Freixo.

"Tem uma segunda frase que completa essa: 'Nós somos governo, o que muda é o governo'. Essa frase, muito sincera e curta, é profunda: [o Centrão] é o governo qualquer que seja o governo", analisou. "O tempo deles com o Bolsonaro é o tempo de proveito do governo Bolsonaro".

Para o deputado pelo RJ, em alguns estados o Centrão não vai se associar a Bolsonaro. "Vão eleger menos deputados federais se caminharem com o Bolsonaro", disse.

Filiação ao PSB

Marcelo Freixo anunciou há um mês sua saída do PSOL, após 16 anos integrando a legenda, para se filiar ao PSB. O novo partido pretende apoiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.

O ex-psolista reforçou que não vê outro candidato possível para derrotar Bolsonaro, que tentará a reeleição à Presidência. Apesar de manter sua atenção na corrida presidencial, o foco maior de Freixo é tentar se eleger como governador do Rio.

Ameaça a jornalista do UOL

Freixo falou ainda sobre uma mensagem ameaçadora enviada na última sexta-feira (9) por Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, à jornalista do UOL Juliana Dal Piva, que havia revelado a conexão do presidente com o esquema das rachadinhas. Freixo chamou a ameaça de "muito grave" e disse que não é papel de advogado de Bolsonaro ameaçar jornalistas.

Na mensagem, Wassef sugeriu à jornalista que fizesse na China o que faz aqui "para ver o que o maravilhoso sistema político que você tanto ama faria com você. Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo".

"É muito grave que um advogado de um presidente faça ameaças como foi feito contra uma repórter", disse Freixo. "Já tivemos o presidente [Bolsonaro] mandando repórter calar a boca, ofendendo repórter", lembrou. "Mas ameaça, como feito, é muito grave". Freixo disse que espera que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se pronuncie a respeito da mensagem enviada à jornalista pelo advogado.

Freixo elogiou a decisão da jornalista Juliana Dal Piva de publicar a mensagem enviada pelo defensor de Bolsonaro. "Eu entrei em contato [com a jornalista] por solidariedade", revelou o parlamentar. Ao UOL News, Juliana revelou que a mensagem enviada por Wassef foi repentina. "Não houve troca de mensagens, foi gratuito", contou.

Caso Marielle

Outro tema tratado por Freixo durante a entrevista foi a recente saída das promotoras do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) Simone Sibílio e Leticia Emile do caso que investiga o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018. Para o deputado, a saída das promotoras da força-tarefa é um "retrocesso irreparável". Sibílio e Emile estavam à frente do caso desde setembro de 2018.

O deputado afirmou que a saída das promotoras da força-tarefa pode ter relação com a delação premiada da viúva do miliciano e ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, Júlia Lotufo. "Nós sabemos que existe relação direta entre a saída das promotoras e a delação da viúva do capitão Adriano da Nóbrega, dono do Escritório do Crime e morto na Bahia", acusou. "Ela ficou casada com ele durante 10 anos e faz uma delação premiada. Quer proteger alguém? Quer realmente entregar?", questionou o parlamentar.

Para Freixo, a falta de resposta sobre a morte de uma parlamentar mulher negra brutalmente assassinada no exercício do mandato "é muito grave", "O Brasil e o governo do RJ não deram resposta", disse.

*Com Gabriel Toueg, colaboração para o UOL, em São Paulo

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