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Ataques de Bolsonaro: 'É o momento de usar a força da lei', diz Sakamoto

Sakamoto: "Passou o momento das notas de repúdio. Agora é usar a força da lei, a única coisa que o Bolsonaro entende" - Adriano Machado/Reuters
Sakamoto: "Passou o momento das notas de repúdio. Agora é usar a força da lei, a única coisa que o Bolsonaro entende" Imagem: Adriano Machado/Reuters

Colaboração para UOL

02/08/2021 20h37Atualizada em 02/08/2021 20h42

O colunista Leonardo Sakamoto afirmou hoje no UOL News que é hora de usar a força da lei para impedir ataques do presidente Bolsonaro à democracia. Para ele, caso a resposta das instituições continue sendo a publicação de notas de repúdio, o presidente não irá parar.

Bolsonaro tem dado declarações sobre possíveis brechas para fraude nas urnas eletrônicas e atacou o Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente do Supremo, Luiz Fux, reforçou a importância da democracia e, sem citar Bolsonaro, disse que o STF está atento aos "ataques de inverdades". Para Sakamoto, esse tipo de reação só favorece os ataques do presidente.

"Tudo é mais bizarro porque o Bolsonaro tem atacado um dos ministros da corte, Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, por ser crítico à proposta de impressão de voto. Por conta disso, era de se esperar que o presidente do STF fizesse um discurso mais contundente. Passou o momento das notas de repúdio. Agora é o momento de usar a força da lei, que é a única coisa que o Bolsonaro entende".

Na análise do colunista, Bolsonaro já visa o resultado negativo para ele nas eleições de 2022.

"Bolsonaro tem prometido golpe de estado, a não realização das eleições do ano que vem. Ele tem preparado o terreno, para caso ele perca, para Lula ou para outra pessoa, ele possa mobilizar a seus eleitores, seus fãs mais aguerridos para ir às ruas. Tantos os civis, inclusive, os militares, os policiais, para ir às ruas e contestar, talvez tendo sucesso naquilo que Donald Trump não teve em janeiro de 2021, com a fracassada tentativa de golpe, com a invasão do congresso".

Professor fala em retrocesso

O programa também teve a participação de Marco Sabino, professor de governança do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais). Na avaliação dele, a comunicação com o governo se resume aos inúmeros ataques do presidente, e há dificuldade no cumprimento da lei. "Há dificuldade na caracterização de um eventual crime de responsabilidade e de condições para impedir, porque é um processo político".

Sabino critica ainda a ideia de retorno ao voto impresso, o que considera um retrocesso. "Quem no seu juízo, no século 21, estaria pedindo o voto impresso? Nós estamos, desde 1996, sendo sistema eleitoral, que é admirado pelo mundo todo, que exporta tecnologia e efetivamente observado pelo mundo todo, e a gente quer voltar?".

O professor lembrou ainda que não há comprovação de que o sistema de voto impresso é mais seguro que o da urna eletrônica. "Não há indícios que o sistema do voto impresso será imune a fraudes porque fraude é uma questão de ocasião. E os dados das urnas eletrônicas são altamente auditados, até com mais eficiência ainda do que o voto impresso"

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