PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

CPI vai avaliar quebra de sigilo bancário da Jovem Pan

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), pediu a quebra do sigilo bancário da Jovem Pan desde 2018 - Pedro França/Agência Senado
Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), pediu a quebra do sigilo bancário da Jovem Pan desde 2018 Imagem: Pedro França/Agência Senado

Colaboração para o UOL*

02/08/2021 16h32

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou ao grupo um requerimento de quebra de sigilo bancário da Jovem Pan. A intenção é ter acesso às contas da empresa desde o início de 2018, além de uma comparação de valores antes e depois da pandemia.

No pedido, que também é assinado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), eles justificam que o veículo é "grande disseminador das chamadas fake news". A empresa se pronunciou e disse que o pedido é "injustificável".

A expectativa é de que a comissão aprecie o requerimento amanhã, junto a outros mais de 150 pedidos. Suspensa por duas semanas durante o recesso parlamentar, a CPI terá novas frentes de investigação e nova composição.

A medida foi vinculada a outros requerimentos que visam ter acesso aos dados bancários de outros portais na internet e integrantes do chamado "gabinete do ódio".

Repercussão

Hoje, o grupo Jovem Pan de Comunicação emitiu um comunicado dizendo que "pedidos do gênero são injustificáveis". A nota, divulgada no site e nas redes sociais da empresa, foi lida pelo jornalista e locutor Joseval Peixoto.

"Os balanços da Jovem Pan são publicados anualmente no Diário Oficial. Para que não restem dúvidas quanto à transparência do comportamento da Jovem Pan, republicamos os balanços em nosso site", diz.

Para o grupo, é estranho que os senadores tenham solicitado este prazo porque a OMS (Organização Mundial da Saúde) ter oficializado a existência da pandemia de covid-19 apenas em março de 2020. Com isso, entendem que a "acusação de Calheiros não se enquadra no fato determinado para a criação da CPI" de investigar ações e omissões do governo no combate à crise de saúde.

O texto também garante que em 77 anos a empresa "jamais disseminou fake news". A conclusão da Jovem Pan é, portanto, que "se trata de uma acusação genérica que tem por única finalidade cercear a liberdade de imprensa no Brasil".

O posicionamento da empresa foi compartilhado nas redes sociais:

Além da rádio, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e a Abratel (Associação Brasileira de Rádio e Televisão ) também divulgaram notas de repúdio sobre o requerimento.

Para a Abert, a iniciativa "não aponta qualquer dado ou informação concreta" que a justifique. A Abratel afirmou que a imprensa "não é o foco dos trabalhos desenvolvidos pela CPI" e que, caso o pedido seja aceito, "estaremos diante de um precedente gravíssimo, desnecessário e equivocado, ferindo as liberdades de imprensa e expressão."

Com a repercussão, no entanto, pode ser que a comissão retire o requerimento de pauta. O tema também será discutido em reunião de membros da oposição.

* Com informações de Estadão Conteúdo

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.