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1 mês

Randolfe: 'Quando Manaus precisava de oxigênio, mandaram cloroquina'

Randolfe (Rede-AP) diz que "até psicólogos" foram enviados à Manaus, menos médicos intensivistas - Diego Bresani/UOL
Randolfe (Rede-AP) diz que "até psicólogos" foram enviados à Manaus, menos médicos intensivistas Imagem: Diego Bresani/UOL

Do UOL, em São Paulo

02/08/2021 09h54Atualizada em 02/08/2021 10h39

Dois vídeos que chegaram à CPI da Covid mostram que a força-tarefa do Ministério da Saúde, criada no auge da crise do oxigênio em Manaus, montou kits com medicamentos utilizados no "tratamento precoce", sem eficácia para combater a doença. Diante das novas evidências, o vice-presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que as imagens só comprovam o que os parlamentares já desconfiavam.

Confirmam o que nós já desconfiamos: durante o apogeu da segunda crise, da segunda onda de pandemia no Amazonas, quando o povo manauara precisava de oxigênio, mandaram em larga quantidade cloroquina
Randolfe Rodrigues

Segundo o senador, quando Manaus mais precisava de médicos, o Ministério da Saúde mandou "até psicólogos", mas não investiu em recursos para encaminhar médicos intensivistas. As declarações foram ditas em entrevista à GloboNews.

Os vídeos que irão integrar as evidências copiladas pela Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as ações e omissões do governo no combate à pandemia foram extraídos das redes sociais e enviados à Randolfe.

Um dos vídeos mostra caixas de cloroquina sendo preparadas para o envio de Manaus. "Sim, somos médicos do tratamento precoce", diz o trecho da legenda de um dos vídeos.

O segundo mostra as caixas embaladas para envio à Manaus, afirmando que o uso das medicações ineficazes tem "embasamento científico".

Randolfe diz não ter dúvidas sobre prevaricação

Em entrevista ao jornal O Globo, Randolfe declarou que não há dúvidas sobre a prevaricação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O que ele tenta compreender junto com o colegiado da CPI é por quais motivos o presidente preferiu se esquivar da responsabilidade sobre as negociações superfaturadas de vacinas contra a covid-19.

Para nós da CPI, não tem dúvida o crime de prevaricação no caso da Covaxin. Esse crime não há dúvidas. O que nós estamos investigando é por que o presidente prevaricou. O senhor presidente, tendo recebido a notícia de um esquema de corrupção em curso no âmbito do Ministério da Saúde, não tomou providências. E também há outros crimes
Randolfe Rodrigues

O senador disse ainda que todos os elementos e indícios apontam para a responsabilidade do Presidente da República pelo avanço da pandemia no país.

Ao ser questionado se acredita que as eleições de 2022 será afetada pela CPI, Randolfe disse que "cabe à sociedade julgar o trabalho" que está sendo realizado pela Comissão. "Não cabe muito se preocupar com isso. O julgamento disso a sociedade e a História o fará".

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.