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À CPI, reverendo se contradiz ao relatar encontro com Bolsonaro

Reverendo Amilton Gomes de Paula reconhece que não encontrou presidente Jair Bolsonaro em depoimento à CPI da Covid - Leopoldo Silva/Leopoldo Silva/Agência Senado
Reverendo Amilton Gomes de Paula reconhece que não encontrou presidente Jair Bolsonaro em depoimento à CPI da Covid Imagem: Leopoldo Silva/Leopoldo Silva/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

03/08/2021 18h28Atualizada em 03/08/2021 18h54

O reverendo Amilton Gomes de Paula, líder da entidade privada Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários) se contradisse hoje em depoimento à CPI ao reconhecer que não se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) leu mensagens entre o religioso e Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da Davati Medical Supply, que indicariam um encontro entre Amilton e Bolsonaro. O presidente teria se comprometido a comprar o estoque de vacinas. "Isso é tudo conversa?", questionou o senador.

"De fato não conversei com o presidente", respondeu o reverendo.

"O senhor escreveu uma coisa que não fez?", perguntou Izalci.

"Exatamente."

Mais cedo, o reverendo também disse que não se lembrava de ter encontrado o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, acusado de pedir propina na compra de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, disse que a comissão teve acesso a uma troca de mensagens entre o reverendo e Dominghetti, em que Amilton afirma ter estado na sala de Roberto Dias na sede da pasta.

"O Reverendo Amilton afirmou que não se recorda de ter encontrado o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, acusado de pedir propina na negociação das 400 milhões de doses, Roberto Dias. No entanto, acabamos de apresentar à CPI uma troca de mensagens entre Dominghetti e Amilton de Paula, na qual o reverendo afirma: 'Boa tarde, Dominghetti, estou na sala do Roberto Dias, com os outros que falaram com ele. É inacreditável como brincam com a vida das pessoas'", escreveu o parlamentar.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.