PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

Randolfe diz que mensagens mostram que reverendo esteve na sala de Dias

Reverendo Amilton Gomes de Paula em depoimento à CPI da Covid - Leopoldo Silva/Leopoldo Silva/Agência Senado
Reverendo Amilton Gomes de Paula em depoimento à CPI da Covid Imagem: Leopoldo Silva/Leopoldo Silva/Agência Senado

Colaboração para o UOL

03/08/2021 17h38Atualizada em 03/08/2021 18h57

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, apontou contradição no depoimento do líder da entidade privada Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), reverendo Amilton Gomes de Paula, que disse não se recordar de ter encontrado pessoalmente o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, acusado de pedir propina na compra de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Segundo Randolfe publicou em seu perfil no Twitter, a CPI teve acesso a uma troca de mensagens entre o reverendo e Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da Davati Medical Supply, em que Amilton afirma ter estado na sala de Roberto Dias no Ministério da Saúde.

"O Reverendo Amilton afirmou que não se recorda de ter encontrado o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, acusado de pedir propina na negociação das 400 milhões de doses, Roberto Dias. No entanto, acabamos de apresentar à CPI uma troca de mensagens entre Dominghetti e Amilton de Paula, na qual o reverendo afirma: 'Boa tarde, Dominghetti, estou na sala do Roberto Dias, com os outros que falaram com ele. É inacreditável como brincam com a vida das pessoas'", escreveu o parlamentar.

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) também criticou as reuniões entre o reverendo e representantes do Ministério da Saúde.

"O governo ignorou e-mails da Pfizer. Já o reverendo Amilton pediu audiência às 12h30 e às 16h foi recebido no Ministério da Saúde para intermediar a compra de vacina que não representava. A cada depoimento fica mais nítido que o Ministério estava acéfalo e só se interessava por propina", escreveu.

Hoje, em depoimento à CPI no Senado, Amilton de Paula, ao ser questionado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) se conhece Roberto Dias, disse não se recordar. Ainda, ele também declarou não conhecer o coronel Marcelo Blanco.

"Eu não conheço o Coronel Blanco — não conheço. Eu não conheço... Eu não me lembro do Roberto Dias, eu não me lembro desse pessoal. O que eu estava... A única pessoa que foi comigo, no dia 12, somente no dia 12, foi o coronel que foi o dr. Helcio Bruno. Eu não conheço", depôs o reverendo.

Reverendo chora na CPI

Amilton Gomes de Paula chorou hoje durante a CPI da Covid e se disse culpado por "ter estado nessa operação das vacinas". Ele também afirmou que queria "vacinas para o Brasil" após a morte de um conhecido em decorrência da covid-19.

Ele é apontado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti como intermediador de uma oferta supostamente superfaturada de 400 milhões de doses de vacinas de Oxford/AstraZeneca ao Ministério da Saúde.

"Eu abri a porta da minha casa num momento assim em que eu estava enfrentando a perda de um ente querido da minha família, e eu queria vacina para o Brasil. Eu me sinto... Tenho culpa, sim. Hoje de madrugada, antes de vir para cá, eu dobrei os meus joelhos, orei, e aí eu peço desculpas ao Brasil. O que eu cometi não agradou primeiramente aos olhos de Deus", declarou.

Amilton se pôs a chorar brevemente após o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) o questionar sobre o seu papel na suposta oferta de vacinas da AstraZeneca e dizer ter dúvidas se o reverendo faz parte de uma "tríade de golpistas" ou se realmente foi enganado, como o depoente alega.

"Foi um erro que, se pudesse voltar atrás, eu voltaria. Peço perdão a todos os Senadores, a todos os Deputados, e o que eu puder fazer para melhorar a vida de alguém... Para quem me conhece como pastor e hoje está me assistindo, está dizendo: "esse eu conheço." Jamais fraudei ou tirei algo de alguém e estou aqui para contribuir com o Brasil sempre", disse.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.