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CPI da Covid aprova acareação entre Onyx e Luis Miranda sobre caso Covaxin

14.jul.2021 - Onyx Lorenzoni durante a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara - Cleia Viana/Câmara dos Deputados
14.jul.2021 - Onyx Lorenzoni durante a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Luciana Amaral e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

11/08/2021 16h09Atualizada em 11/08/2021 17h23

A CPI da Covid aprovou hoje a realização de acareação entre o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni (DEM), e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

Eles deverão ficar frente a frente na Comissão Parlamentar de Inquérito para falar sobre supostas irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin, denunciadas por Luis Miranda e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde.

A acareação deve acontecer na próxima quarta-feira (18), informou a assessoria do vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

No Twitter, ao anunciar a acareação, o senador afirmou que a CPI está "em busca da verdade" e que as "mais de 565 mil famílias que perderam seus entes pra covid-19 merecem respostas!"

O requerimento, de autoria de Randolfe, não estava previsto para ser votado hoje. No entanto, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), resolveu colocar o pedido em pauta "diante da relevância e da urgência do tema".

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que a acareação é necessária devido às diferentes versões sobre o processo de compra da Covaxin, com foco em suposto documento falso e pressão atípica para importação do imunizante.

O deputado Luis Miranda afirmou que seu irmão sofreu pressões pela importação do imunizante e se recusou a autorizá-la, apontando para possíveis fraudes no processo. O parlamentar revelou ter alertado tanto o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, quanto o presidente Jair Bolsonaro sobre as suspeitas.

A Precisa Medicamentos foi a intermediária das negociações para a compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde. Em depoimento à CPI, Luis Miranda e o irmão reafirmaram suspeitas de irregularidades envolvendo esse contrato.

Ao ouvir denúncia sobre o caso, contaram os irmãos Miranda, Bolsonaro teria dito que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), poderia estar envolvido no "rolo". Este nega qualquer irregularidade e será ouvido pela CPI amanhã.

O valor do negócio para a Covaxin, de R$ 1,6 bilhão, chegou a ser empenhado (reservado para esse fim) pelo governo federal. O acordo, porém, acabou suspenso depois que as suspeitas de corrupção vieram à tona.

Ainda em junho, em coletiva, quando ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni rebateu as denúncias e disse que Bolsonaro determinou que a Polícia Federal investigue declarações de Luis Miranda sobre as suspeitas.

Segundo o ministro, as declarações de Luís Miranda são "mentirosas" e foram construídas para "atingir a imagem do presidente Jair Bolsonaro".

Randolfe disse que novas informações obtidas a partir de quebras de sigilos motivaram a realização da acareação para o futuro próximo. Ele não quis dar detalhes sobre o que tratam exatamente esses dados.

"É urgente à luz das informações que nós temos", declarou.

A comissão ouviu hoje o executivo da farmacêutica Vitamedic, Jailton Batista. A empresa gastou R$ 717 mil para patrocinar "manifesto" de grupo de médicos alinhados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a divulgação do chamado tratamento precoce com base em medicamentos que compõem o kit covid, sem eficácia comprovada para o tratamento da doença.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria era independente ou de oposição), investigou ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Teve duração de seis meses. Seu relatório final foi enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.