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'Eu não quis me desconectar do Lula', diz Haddad sobre eleição de 2018

Fernando Haddad (PT) disse que não deixaria Lula sozinho - Marlene Bergamo/Folhapress
Fernando Haddad (PT) disse que não deixaria Lula sozinho Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

Colaboração para o UOL

23/08/2021 16h25Atualizada em 24/08/2021 02h34

Candidato do PT nas últimas eleições presidenciais, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro Fernando Haddad afirmou, durante entrevista ao programa Conversa com Bial, que não se descolou da imagem de Lula durante as eleições de 2018 porque não quis. Haddad alegou que, naquele momento de crise nacional, não deixaria Lula sozinho.

"Eu era candidato do Lula, não ia negar isso. Ele me escolheu para vice, assumi a chapa porque ele foi impedido, não ia ficar com graça, tentando passar para a população uma mentira. Perguntam porque eu não me desconectei do Lula, porque eu não quis me desconectar do Lula! Eu não faria isso por nada, não farei isso por nada. Se ele me decepcionar um dia, aí pode ser que eu venha a fazer, mas não em relação ao que estava acontecendo naquele momento", pontuou Haddad.

Também no Conversa com Bial, o também presidenciável Ciro Gomes (PDT) confirmou uma versão apresentada pelo professor e político Antônio Delfim Netto, de que foi acordada com Lula, já preso, uma chapa em que Fernando Haddad seria candidato a vice-presidente com Ciro na cabeça de chapa. O petista, no entanto, contradisse a tese de traição de Lula a Ciro.

"A oferta real que foi feita é que o Ciro deveria ser vice do Lula num primeiro momento. O Ciro sendo vice do Lula, que não queria abrir mão da candidatura antes das Nações Unidas se manifestarem sobre ele, o que acabou acontecendo a seu favor, que o Ciro deveria ser presidente do Lula, e em caso de impedimento do Lula, o Ciro seria cabeça de chapa e eu entraria como candidato a vice. Essa proposta, posso te afiançar que houve, porque foi feita por mim, na minha casa, com testemunhas (...) A proposta não foi sequer considerada e eu não ia deixar o Lula sozinho", disse o ex-prefeito de São Paulo.

Haddad também criticou Ciro Gomes, alegando que "não consegue respeitar" políticos que "cospem no prato que comeram, que não têm coerência na sua trajetória, que mudam de lado, que dizem uma coisa num dia e outra noutro dia, eu não consigo respeitar". Provocado pelo pedetista no mesmo programa, o professor universitário alegou que "se o Ciro quer me ofender no seu programa, problema dele", pois não iria se "rebaixar ao nível dele para retrucar o que ele está falando ao meu respeito".

Lula vice?

Haddad avaliou a possibilidade de uma frente ampla para o próximo pleito. Para o petista, é improvável que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) componha uma chapa como candidato a vice-presidente em 2022. "Muito difícil pedir para quem hoje está quase ganhando no primeiro turno das pesquisas eleitorais, que depois de ter vivido sobretudo as injustiças cometidas contra ele, acho muito difícil que o PT não insista na candidatura do Lula", disse, em entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, que foi ao ar nesta madrugada.

Segundo Haddad, o próprio Lula decidiu interromper essa discussão no partido. Isso porque, para o ex-presidente, "o momento agora é discutir desemprego, inflação e vacina'. A definição sobre candidaturas para 2022, portanto, foi deixada para ser resolvida "mais para frente."

Apesar disso, o candidato do PT em 2018 acredita na possibilidade de "uma chapa ampla, já no primeiro turno". Segundo Haddad, estão sendo feitas muitas conversas com partidos "do campo progressista e também do chamado centro, não 'centrão'".

"Eu imagino que nós possamos ter a felicidade de ter uma chapa ampla, já no primeiro turno, uma unidade democrática contra o que me parece o mal maior, que é a permanência desse projeto que tanto ameaça os brasileiros", opinou.

De acordo com a última pesquisa da XP/Ipespe, Lula ampliou de 12 para 16 pontos porcentuais a vantagem em intenções de votos sobre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em um dos cenários pesquisados, o petista tem 40% das intenções de voto contra 24% do atual chefe do Executivo.

Pedido de entrevista

Próximo ao final do programa, o jornalista e apresentador Pedro Bial, que iniciou uma série de entrevistas com possíveis candidatos à presidência em 2022, decidiu fazer um convite indireto para que o ex-presidente Lula compareça ao seu programa.

A Haddad, ele declarou que quando estava planejando a estreia de seu programa, dois ex-presidentes estavam entre seus escolhidos para serem os primeiros entrevistados. "Um era o FHC, o outro...", disse Bial, ao que Haddad completou com "o Lula".

Bial, em seguida, afirmou que o convite para que o o ex-presidente lhe conceda uma entrevista no programa continua aberto. Haddad, então, afirmou que Lula assistiria à sua entrevista e que ele mesmo transmitiria o pedido do jornalista.

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