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Sargento da FAB preso com cocaína ainda recebe salário de quase R$ 8 mil

O segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilha, na Espanha, por transportar cocaína - Reprodução/Rede Social
O segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilha, na Espanha, por transportar cocaína Imagem: Reprodução/Rede Social

Do UOL, em Brasília

25/09/2021 11h42Atualizada em 25/09/2021 14h44

Condenado na Espanha, o segundo-sargento da FAB (Força Aérea Brasileira) Manoel Silva Rodrigues, detido com cerca de 37 kg de cocaína em aeronave de apoio da comitiva presidencial, em 2019, continua recebendo salário bruto de quase R$ 8 mil, aponta o Portal da Transparência.

A prisão de Rodrigues aconteceu em junho de 2019 durante viagem de Jair Bolsonaro (sem partido) à cúpula do G20. A cocaína estava na bagagem do sargento que voou em uma aeronave de apoio da comitiva. Ele não estava no mesmo voo do presidente. Segundo a FAB, Rodrigues exercia a função de comissário de bordo.

O sargento ainda consta como militar da ativa no Brasil com salário mensal bruto de R$ 7.965,90. Após deduções, o valor passa para R$ 6.343,11, fora verba indenizatória de R$ 321.

Em junho, quando sua prisão completou dois anos, ele recebeu R$ 10.326,06 devido ao salário mais R$ 3.982,95 de gratificação natalina, mostra o Portal da Transparência. As remunerações de julho e agosto deste ano ainda não estão disponíveis.

Em agosto do ano passado, o UOL já havia mostrado que o militar seguia na ativa recebendo salário. Na época, a FAB informou que Rodrigues foi notificado da abertura do processo de exclusão, mas para ser desligado administrativamente é necessário o trânsito em julgado (quando não cabe recurso) do processo judicial, que embasa o processo interno.

Procurada pelo UOL hoje, a FAB informou que o Inquérito Policial Militar instaurado no âmbito do Comando da Aeronáutica foi concluído dentro do prazo. "Os autos foram encaminhados para a Auditoria Militar competente, que enviou para o Ministério Público Militar, a quem coube oferecer a denúncia, estando a ação penal em curso, conforme determina o Código de Processo Penal Militar", disse.

"A exclusão do militar a bem da disciplina só será aplicada ao militar após ter sido condenado à pena restritiva de liberdade individual superior a dois anos, em sentença transitada em julgado, conforme determina o Estatuto dos Militares", completou.

A FAB ainda disse atuar para coibir irregularidades e repudiar condutas que "não representam os valores, a dedicação e o trabalho do efetivo em prol do cumprimento de sua missão Institucional".

Durante o julgamento na Espanha, Rodrigues confessou o crime e se disse "profundamente arrependido". Rodrigues acrescentou que aquela foi a primeira vez que traficou drogas, que seu salário "não é muito alto" e passava por dificuldades financeiras.

Por entender que ele foi sincero e "reconheceu os fatos", a promotoria espanhola reduziu o pedido de pena para seis anos e um dia de prisão, além de uma multa de 2 milhões de euros (cerca de R$ 12,5 milhões). Inicialmente, o Ministério Público havia pedido que ele fosse condenado a oito anos de prisão e a pagar uma multa de 4 milhões de euros (cerca de R$ 25 milhões).

Dados de investigação da Polícia Federal, porém, apontam que Rodrigues traficou cocaína em pelo menos sete viagens oficiais antes de ser preso na Espanha. A documentação do inquérito policial, a cujo conteúdo o UOL teve acesso, revela ainda que o esquema continuou com a participação de outros militares brasileiros, mesmo depois da prisão de Manoel Rodrigues.

Nesta quarta (22), a Polícia Federal deflagrou a 3ª fase da Operação Quinta Coluna para aprofundar investigações sobre a atuação de associação criminosa que enviava drogas para a Europa por meio de aeronaves da FAB. Os policiais federais cumpriram 3 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, informou a corporação.

"As medidas judiciais buscam novas provas em torno do núcleo responsável por recrutar 'mulas' para realizar o tráfico de internacional de drogas nos aviões da FAB", afirmou, em nota.

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