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Conteúdo publicado há
2 meses

CPI: Aziz pede que advogado de Hang se retire após discussão com senador

Hanrrikson de Andrade, Thais Augusto e Isabella Cavalcante

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

29/09/2021 12h22Atualizada em 29/09/2021 13h18

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), determinou que um dos advogados do empresário Luciano Hang deixasse a sessão de hoje da Comissão Parlamentar de Inquérito. A decisão gerou um bate-boca entre senadores governistas e da oposição, e a sessão foi suspensa por aproximadamente 45 minutos.

A decisão de Omar ocorreu após o defensor, identificado como Murilo Varasquim, discutir com o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que alegou ter sido ofendido pelo advogado. O parlamentar defendeu que a saída do advogado era "uma questão de respeito à Casa".

"Eu disse que o depoente tem que estar na condição de depoente, não pode fazer manifestações fora do que for perguntado. Isso daqui não é palanque político", afirmou Carvalho.

Após a confusão, o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), determinou a retirada de Murilo Varasquim.

O depoente chegou a pedir o "VAR" para consultar se o advogado tinha ofendido o senador, além de "democracia e liberdade de expressão".

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) também saiu em defesa do advogado: "Ele que foi ofendido. Pare de se vitimizar", disse ao colega Rogério Carvalho.

Após o retorno da sessão, com os ânimos mais calmos, o advogado pediu desculpas a Carvalho e Omar reconsiderou a presença dele na sala da CPI.

"Não ouvirei mais nenhum senador caso aconteça esse fato novamente, não adianta mais questionar minha decisão. Vou aceitar as desculpas do senhor ao Rogério. Fazer autocrítica faz parte do ser humano, mas peço encarecidamente, já tomei essas decisões antes e já teve nota de OAB e AGU, mas aqui vou tentar que nenhum senador seja desrespeitado por ninguém, nem advogado nem ninguém. Peço que levemos o depoimento na maior tranquilidade possível."

Antes da confusão, Hang declarou à CPI não ser "negacionista" e recusou a tese, defendida pelos senadores da oposição, de que ele teria atuado no chamado "gabinete paralelo" —estrutura de aconselhamento informal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), um dos objetos de investigação do colegiado.

O empresário também rechaçou a acusação de que teria financiado um "esquema de fake news".

"Quero afirmar aqui nesta Casa do povo, com a consciência tranquila e com a serenidade de quem tem a verdade a seu lado, que não conheço, não faço e nunca fiz parte de nenhum gabinete paralelo. Nunca financiei nenhum esquema de fake news e não sou negacionista", disse Hang na abertura da sessão.

Aos senadores, o empresário afirmou ser "vítima por não ter medo de falar a verdade".

Ao contrário do que tentam me imputar eu não sou negacionista, nunca neguei ou duvidei da doença. Tanto que minhas ações pró-saúde não ficaram só no discurso.
Empresário Luciano Hang na CPI da Covid

Hang citou ainda a doação de cilindros de oxigênio a Manaus e o apoio para que a iniciativa privada pudesse comprar vacinas, "ajudando o país a acelerar o processo de imunização".

O dono da Havan disse também nunca ter se posicionado contra as vacinas da covid-19.

"Eu não sou e nunca fui contra a vacina, tanto que disponibilizei todos os nossos estacionamentos das nossas megalojas espalhadas pelo Brasil como pontos de vacinação. Além disso, juntamente com outros empresários fizemos campanha para que a iniciativa privada pudesse comprar para doar e ajudar o País a acelerar o processo de imunização. Fomos apoiados por quase meio milhão de brasileiros em um abaixo-assinado nessa causa."

Pouco antes de sua explanação inicial, o depoente se recusou a firmar compromisso de não mentir à CPI —como ele consta na lista formal de investigações, tem direito a não aderir ao juramento. O depoente comentou, por outro lado, que estaria "com a verdade ao seu lado".

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.