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Política

'PEC dos Precatórios vai financiar mensalão 2.0', diz Tabata Amaral

Colaboração para o UOL

04/11/2021 18h45

Em entrevista ao UOL News, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) classificou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios como uma "tragédia" e afirmou que a medida financiará um "mensalão 2.0".

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno o texto base da PEC dos Precatórios. A proposta abre espaço fiscal de R$ 91,6 bilhões para o governo federal no próximo ano, o que viabiliza o lançamento do novo programa social Auxílio Brasil de R$ 400. A PEC precisa passar ainda por um segundo turno de votação na Câmara antes de ir para o Senado. Tabata Amaral votou contra a PEC.

"A PEC dos Precatórios é o que faltava para ampliar a corrupção que está acontecendo em Brasília. Essa PEC, com todos os calotes e gambiarras, não foi feita para criar espaço para o Auxílio Brasil, mas para aumentar em quase R$ 50 bilhões o recurso que existe no orçamento secreto", argumentou a deputada.

No mensalão, os deputados recebiam um valor mensal para poder apoiar as propostas do governo. Com o orçamento secreto, temos acusações gravíssimas de que parlamentares estão recebendo pedaços do orçamento público, dinheiro que poderia ir para pesquisa, saúde e educação, dinheiro que é colocado em prefeituras e empresas que muitas vezes sequer estão na base eleitoral, no estado daquele parlamentar. Tabata Amaral, sobre a aprovação da PEC dos Precatórios

Investigações

Além disso, argumentou Tabata, existem outras acusações que devem continuar sendo investigadas.

"De que se compra um trator com três vezes o preço que ele custaria, de que um percentual desse valor que é colocado na emenda volta para o parlamentar em forma de dinheiro. Estamos falando de um mensalão 2.0 que deve ser investigado."

A deputada federal afirmou ainda que é possível financiar a expansão do Bolsa Família, mas sem esse "toma lá, da cá".

"Bastava ter decência porque a gente pode falar de isenções tributárias que não fazem o menor sentido, de uma reforma tributária justa, de privilégios como os supersalários que existem no alto escalão da administração pública. Mas não, o projeto não era sobre um espaço para ampliar um projeto social. O projeto é sobre continuar pagando uma parte do Parlamento para que apoie projetos do governo federal, e isso é gravíssimo."

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