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4 meses

Ciro Nogueira reage a pedido de CPI do MEC no Senado: 'Sinal de desespero'

25.jan.2022 - O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, durante evento no Palácio do Planalto - Adriano Machado/Reuters
25.jan.2022 - O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, durante evento no Palácio do Planalto Imagem: Adriano Machado/Reuters

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/04/2022 19h45Atualizada em 08/04/2022 20h02

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), criticou hoje e classificou como "sinal de desespero" o pedido para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias sobre os casos de corrupção no MEC (Ministério da Educação).

Sem citar o nome do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que deve ser coordenador da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto, Nogueira disse no Twitter que a abertura de uma CPI é uma "tentativa do coordenador da campanha de Lula de atacar o presidente Bolsonaro, em ano eleitoral".

"O pedido da CPI, apenas com disse-me-disse sem provas, só tem um fato determinado: a tentativa do coordenador da campanha de Lula de atacar o presidente Bolsonaro, em ano eleitoral. Só resta a eles o vale tudo. Sinal de desespero", afirmou o ministro de Bolsonaro. O atual chefe do executivo deve se candidatar à reeleição no pleito deste ano.

Hoje, a PF (Polícia Federal) entregou ao Supremo Tribunal Federal o relatório final do inquérito que apurou suposto repasse de propinas do grupo J&F ao ministro Ciro Nogueira, em troca de apoio do PP à chapa Dilma-Temer, em 2014.

Em relatório de 61 páginas, o delegado Rodrigo Borges Correia concluiu que houve repasse de propinas para Ciro Nogueira, pagas pelo empresário Joesley Batista, para garantir o apoio da legenda à reeleição da petista.

Randolfe diz que Planalto está desesperado

Mais cedo, em seu perfil no Twitter, o senador Randolfe Rodrigues relatou que o Palácio do Planalto está em desespero com a ideia de uma CPI sobre os casos de corrupção no Ministério da Educação. A fala foi parte de um vídeo, no qual ele afirma que o Planalto tem uma "operação desesperada" para retirar assinaturas.

A publicação vem após a notícia de que Randolfe, que é líder da oposição ao atual presidente Jair Bolsonaro dentro do Senado, conseguiu 27 assinaturas, o número mínimo para conseguir a abertura da CPI. De maneira a manter essas assinaturas e conseguir iniciar o processo, o senador afirmou, no vídeo, que "continuaremos vigilantes".

Em entrevista à GloboNews, no fim da tarde de hoje, Randolfe também denunciou preocupações do grupo apoiador da CPI. Dentre essas, está o medo de que a comissão não será equilibrada nas indicações de parlamentares, no entanto, segundo ele, o próximo passo é "monitorar indicações que serão emanadas".

"Conseguindo viabilizar a CPI, as assinaturas necessárias, é ato contínuo monitorar as indicações que serão emanadas, para conseguir uma maioria que seja responsável com a investigação. Que tope requerimento de convocação do sr. Milton Ribeiro, que tope requerimento de convocação dos dois assediadores que foram denunciados, uma maioria que toque a investigação", expressou.

CPI planeja investigar caso dos 'pastores lobistas'

No mês passado, os nomes dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura tornaram-se infames devido a seu suposto envolvimento em um caso de propinas e corrupção dentro do Ministério de Educação, quando ainda estava sob comando de Milton Ribeiro. As acusações são de que os pastores faziam pedidos de propina a prefeitos que buscavam verbas para a educação em seus municípios.

O agora ex-ministro da Educação Milton Ribeiro afirmou, em áudio divulgado pela Folha, o que o governo federal prioriza a liberação de verbas a prefeituras escolhidas por Santos e Moura. Como informou a reportagem do UOL*, o áudio também apontava que o próprio presidente Bolsonaro estaria, possivelmente, envolvido nesse caso.

Ribeiro e os pastores são investigados em um inquérito da PF, aberto no último dia 25 por ordem da ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da PGR (Procuradoria-geral da República). As diligências apuram, a princípio, indícios de corrupção passiva, e tráfico de influência.

Ao prestar depoimento, o ex-ministro, que veio a renunciar do cargo uma semana após as denúncias, confirmou que Bolsonaro lhe pediu para receber o pastor Santos, mas negou "tratamento privilegiado" e a existência de um "gabinete paralelo" na pasta.

"O presidente Jair Bolsonaro realmente pediu para que o pastor Gilmar fosse recebido, porém isso não quer dizer que o mesmo gozasse de tratamento diferenciado ou privilegiado na gestão do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação] ou MEC, esclarecendo que, como ministro, recebeu inúmeras autoridades, pois ocupava cargo político", disse o ex-ministro, em um trecho do depoimento.

Além disso, a Comissão de Educação ouviu, na última terça (5), cinco prefeitos que relataram pedidos de propina dos pastores. Um deles, de Bonfinópolis (GO), declarou ter sentido "ânsia de vômito" ao ouvir que teria que pagar R$ 15 mil pela liberação de R$ 7 milhões para a construção de uma escola. Outro prefeito, da cidade de Luís Domingues (MA), afirmou que o grupo pediu 1 kg de ouro, além da propina de R$ 15 mil.

*Com Rafael Neves, do UOL

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.