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Bolsonaro: 'duas ou três pessoas querem roubar liberdade, não conseguirão'

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

08/04/2022 11h17Atualizada em 08/04/2022 17h15

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou hoje a fazer provocações a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Sem citar nomes e a própria instituição, o governante afirmou que há "duas ou três pessoas que querem roubar a nossa liberdade".

"Hoje, no Brasil, duas ou três pessoas querem roubar a nossa liberdade. Não conseguirão!", exclamou o pré-candidato à reeleição em discurso no Rio Grande do Sul, onde participou de um evento para inaugurar a duplicação da BR-116 e da BR-392, em Pelotas.

A declaração é semelhante a críticas feitas por Bolsonaro em situações anteriores que ocorreram na esteira de uma crise institucional entre o Executivo e a Corte —que se arrasta desde o início da pandemia, em 2020.

Em 31 de março desse ano, por exemplo, o chefe da administração federal utilizou uma cerimônia no Palácio do Planalto para, em tom eleitoral, atacar o Supremo. Sem citar nominalmente os componentes do Tribunal, o presidente ordenou que eles "calassem a boca".

"E nós aqui temos tudo para sermos uma grande nação. Temos tudo, o que falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideias, cala a boca. Bota a tua toga e fica aí. Não vem encher o saco dos outros."

Bolsonaro, que ainda hoje irá às cidades de Bagé (RS), Passo Fundo (RS) e Londrina (PR), também afirmou que há "poucas pessoas em Brasília que mandam muito, mas nenhuma delas manda em tudo" —também uma indireta em relação a membros da Corte e outros potenciais desafetos.

Em seguida, o presidente voltou a afirmar que haverá contagem de votos em outubro e voltou a levantar suspeitas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral no país.

"Por ocasião das eleições de outubro, os votos serão contados. Não somos obrigados a acreditar em duas ou três pessoas como se estas fossem o dono da verdade. A verdade está com o seu povo. E o maior exército do Brasil, que são vocês, está conosco também."

No dia 30 de março, durante agenda no Rio Grande do Norte, Bolsonaro já havia dado declaração semelhante. Na ocasião, disse ele: "O povo armado jamais será escravizado. E podem ter certeza que, por ocasião das eleições de 2022, os votos serão contados no Brasil. Não serão dois ou três que decidirão como serão contados esses votos."

Ao colocar em dúvida a segurança do sistema eleitoral no Brasil e fazer ameaças ao Judiciário, o presidente faz referências indiretas a dois ministros do STF: Luis Roberto Barroso (ex-presidente do TSE, Tribunal Superior Eleitoral), Edson Fachin (atual mandatário no TSE) e Alexandre de Moraes (o próximo a comandar a Corte eleitoral).

Durante a solenidade, Bolsonaro recebeu no palanque um combatente brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Ao saudar o idoso, o presidente declarou que o militar era "a pessoa mais importante do palco" e que "nada somos sem a liberdade". "Temos aqui um herói vivo da Segunda Guerra Mundial."

"Um brasileiro que atravessou o Atlântico e foi combater o nazismo e o fascismo. Ele encarna hoje o espírito de todos nós. Lá atrás, com sacrifício da vida desses pracinhas, eles lutaram por liberdade."

Mais tarde, ainda em Pelotas, Bolsonaro disse que era a primeira vez que a primeira-dama saía de Brasília com ele. E chegou a passar a palavra para ela, o que demonstra uma tentativa da campanha dele à reeleição para diminuir a rejeição entre as mulheres. "Com certeza outras vezes ela me acompanhará isso abrilhanta o evento e nos traz mais tranquilidade. Vamos ver se ela tem dom para oratória."