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Política

Casamento de Lula e Janja: após mistério, festa reúne políticos e artistas

Ana Paula Bimbati, Juliana Arreguy e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

18/05/2022 19h08Atualizada em 19/05/2022 16h32

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a socióloga Rosângela Silva, a Janja, se casaram na noite de quarta-feira (18) em uma cerimônia fechada em uma casa de festas no Brooklin, na zona sul de São Paulo. Lula chegou ao local às 18h25 pela entrada de serviço, em um carro preto e de vidros escuros. Janja, às 19h27. Eles não falaram com a imprensa.

O buffet Contemporâneo 8076, local escolhido para a celebração, evitou divulgar detalhes. Mais cedo, a reportagem do UOL tentou apurar junto ao salão se seria ali a cerimônia; ouviu em resposta que, na noite de hoje, o lugar abrigaria uma "festa de debutante". Nem os lojistas da rua sabiam de quem era o evento.

Lula e Janja saíram por volta da 0h15 — sem falar com a imprensa. Não houve tumulto, e a festa continuou para os convidados. A previsão é que se encerraria até as 3h30.

Sigilo, grades e segurança na casa de festas

Pouco antes de 18h foram colocadas grades de proteção na entrada da casa de festas, e a segurança foi reforçada. Então a reportagem —que também havia passado por outras unidades da mesma rede de buffets— conseguiu confirmar que a festa seria ali. Com objetivo de realizar uma cerimônia íntima e pessoal, sem pinta de grande evento político, os detalhes foram mantidos no maior sigilo possível.

Fachada do buffet Contemporâneo 8076, na zona sul de São Paulo, onde foi celebrado o casamento de Lula e Janja - Ana Bimbatti/UOL - Ana Bimbatti/UOL
Fachada do buffet Contemporâneo 8076, na zona sul de São Paulo, onde foi celebrado o casamento de Lula e Janja
Imagem: Ana Bimbatti/UOL

Até os convidados só souberam do endereço da festa horas antes, por meio de um QR Code impresso no convite. Eles começaram a chegar ao local por volta de 18h15. A cerimônia estava prevista para as 19h —mas atrasou cerca de meia hora.

Na entrada, todos tiveram os celulares confiscados. Apenas três médicos, que também foram convidados, receberam autorização para ficar com o aparelho durante a cerimônia.

Pouco antes das 20h, a assessoria do petista divulgou uma foto de Janja vestida de noiva, em imagem feita pelo fotógrafo de Lula, Ricardo Stuckert. A cerimônia durou pouco mais de meia hora —a reportagem ouviu gritos e uma salva de palmas, seguidas de "olé, olé, olé, olá, Lula, Lula".

Lula vestiu um terno azul e estava sem gravata. Janja usou um vestido da estilista Helô Rocha, com bordados feitos por moradoras de Timbaúba dos Batistas, uma cidade da região do Seridó, no sertão do Rio Grande do Norte, conforme Universa adiantou.

Em relacionamento desde o fim de 2017, tornado público apenas em 2019, Janja foi uma das pessoas que mais participaram da vigília em frente à Polícia Federal quando Lula estava preso em Curitiba e hoje é figura central da campanha presidencial do marido. Os dois moram juntos em São Paulo desde que ele saiu da prisão e têm uma cachorra chamada Resistência.

Em um período de cinco horas em frente ao buffet, a reportagem presenciou quatro manifestações contra o ex-presidente. Antes do início da festa, um homem que passava na rua gritou "Lula ladrão". Depois da cerimônia, uma senhora começou a gritar "fora, ladrão" e a gravar imagens da frente do local. Ela se aproximou da equipe de seguranças e falou: "Não tenho medo de gente do seu tamanho e nem de metralhadora".

Mais tarde, três manifestantes chegaram a gritar para o ex-senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que fumava na porta. "Eu sou honesto e você, não", disse um deles.

Por volta das 22h, um casal dentro de um carro parou, gritou "ladrão" e "corrupto" e bloqueou a entrada. Os seguranças pediram para que a motorista retirasse o carro. Ela acusou um deles de jogar spray de pimenta, desceu do veículo e se juntou aos três manifestantes que já estavam na porta. Os seguranças chamaram a polícia e o casal decidiu ir embora.

Após a confusão —que durou cerca de dez minutos—, três viaturas da polícia pararam no local.

Bolo de quatro andares

Ao UOL, fontes próximas do casal disseram que o casamento seguiria os protocolos tradicionais, incluindo um momento especial reservado ao corte do bolo. A reportagem apurou que o quitute foi feito com quatro andares, da cor branca e com as iniciais de Lula e Janja.

A celebração foi conduzida pelo bispo emérito de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo, que conhece Lula desde a década de 1970.

Tudo foi armado para que o evento fosse o mais discreto possível, a pedido do casal. Mesmo entre o círculo político mais próximo do ex-presidente —e da pré-campanha— não se sabia exatamente quem estava na lista e quem ficou de fora. Os detalhes foram revelados aos poucos pela imprensa; o ex-presidente e o PT argumentaram que era um assunto pessoal do casal.

Cerca de 150 pessoas foram convidadas, entre políticos, familiares, artistas, amigos, advogados e funcionários dos noivos e do PT. Um dos critérios para fechar a cobiçada lista foi considerar pessoas que são próximas de ambos, conforme revelou a Folha de S. Paulo.

No meio político, estiveram amigos de longa data e nomes fortes da pré-campanha, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Fernando Haddad (PT), a deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), o ex-ministro Franklin Martins e o senador Jaques Wagner (PT-BA).

O ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB-SP), pré-candidato a vice-presidente na chapa com Lula, também compareceu acompanhado da esposa Lu Alckmin, assim como o pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSB) e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

A reportagem presenciou a chegada dos ex-governadores Flávio Dino (PSB-MA), Wellington Dias (PT-PI) e Benedita da Silva (PT-RJ) —que estava acompanhada do marido, o ator Antonio Pitanga; dos deputados federais Rui Falcão (PT-SP), Alexandre Padilha (PT-SP) e Paulo Pimenta (PT-RS); do prefeito de Araraquara Edinho Silva (PT); do ex-senador Lindbergh Farias; dos ex-ministros Luiz Marinho e Gilberto de Carvalho.

Outros que compareceram foram Paulo Okamoto, ex-presidente do Instituto Lula; os advogados Cristiano Zanin, Valeska Zanin e Augusto de Arruda Botelho (PSB-SP); o escritor e biógrafo de Lula, Fernando Morais; o empresário José Seripieri; e o deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP).

Ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy também esteve no casamento. O ex-marido dela, o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), não foi convidado. Já o governador da Bahia, Rui Costa (PT), chegou apenas após a entrada da noiva.

Do meio artístico, estiveram no local Gilberto Gil, Bela Gil, Daniela Mercury, Teresa Cristina e Duda Beat —as duas últimas cantam o jingle da campanha de Lula—, além do ex-BBB Gil do Vigor e do comediante Paulo Vieira.

Chico Buarque e a mulher, Carol Proner, foram convidados, mas tinham um compromisso previamente marcado na Europa e não compareceram.

Outras figuras do entorno do petista, como Guilherme Boulos (PSOL) e os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Omar Aziz (PSD-AM), não foram chamadas.

Após a cerimônia, o escritor Fernando Morais foi o primeiro a deixar o evento. Com baixa oxigenação —uma das sequelas da covid-19 —ele disse não aguentar muito tempo no local.

À imprensa, ele contou que Lula e Janja trocaram votos religiosos tradicionais de cerimônias católicas. Na homilia, ainda segundo Morais, dom Angélico afirmou que apenas corações apaixonados poderiam salvar o mundo de situações enfrentadas atualmente, como a guerra, a fome e o frio.

O escritor afirmou que o casamento de Lula e Janja entrará no volume dois da biografia do ex-presidente.

Gil do Vigor deixou o local 21h30 segurando um bordado —lembrancinha do casal aos convidados— e dois bolos de rolo. "Estava tudo lindo", afirmou.

Banda, DJ e jingle

Segundo a assessoria do petista, ao final da cerimônia o casal seguiu para uma sala exclusiva; na sequência, eles dançaram uma valsa. Já os convidados foram encaminhados diretamente para a parte do salão onde foi servido o jantar.

Durante a festa, entre a apresentação de uma banda e de uma DJ, foi exibido o novo clipe de "Sem medo de Ser feliz", o "presente" de Janja a Lula, como ela anunciou no lançamento da pré-candidatura do marido à presidência da República.

Os dois se dirigiram aos convidados ao abrir a pista de dança. Ainda de acordo com a assessoria do petista, Lula teria dito que os dois trocaram mais de 580 cartas na prisão e que Janja o rejuvenesce; já a noiva teria declarado viver o dia mais feliz de sua vida.

Neste momento, segundo um convidado, Lula chorou; a mesma fonte relatou que tanto o ex-presidente quanto Janja foram às lágrimas em diversos momentos ao longo da cerimônia.

Um penetra foi tirado da festa por volta das 23h45. Os seguranças não sabem como ele entrou e nem em qual horário. Ele deixou o buffet acompanhado por um assessor do PT. Juntos, os dois foram até um carro estacionado a 200 metros do local. Após o homem ir embora, o assessor retornou à festa.

Logo depois, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), elogiou os bordados do vestido de Janja —feitos por moradoras de uma cidade potiguar, como citado anteriormente.

"Muita alegria, felicidade, esperança e amor. Viram o vestido da Janja que lindo? O Rio Grande do Norte marcando presença", disse ela ao deixar a festa, por volta da meia-noite.

A previsão era de que a festa terminasse às 3h30. O casal reservou uma suíte para passar a noite de núpcias no hotel em que Lula se arrumou na própria quarta (18), o Grand Mercure Ibirapuera, mesmo local em que o PSB confirmou a indicação de Alckmin para vice da chapa à eleição presidencial.

A lua de mel também será em São Paulo, sem planos de viagem. A agenda externa da pré-campanha deverá retomar na semana que vem, com idas para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.


Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, Rui Falcão (PT) é deputado federal pelo estado de São Paulo, e não do Ceará. O texto foi corrigido.

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