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Sobrinho de Bolsonaro vai a júri popular por tentativa de feminicídio

Orestes Bolsonaro, sobrinho do presidente Jair Bolsonaro - Reprodução / Facebook
Orestes Bolsonaro, sobrinho do presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução / Facebook
Juliana Dal Piva
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Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Rafael Neves

Do UOL, em São Paulo, e colunista do UOL

02/08/2022 17h47

A Justiça de São Paulo determinou que Orestes Bolsonaro Campos, sobrinho do presidente Jair Bolsonaro (PL), vá a júri popular por tentativa de feminicídio.

Orestinho, como é conhecido, é acusado de ter entrado na casa da ex-mulher, com quem viveu por 17 anos, e tentado matá-la. O sobrinho de Bolsonaro também tentou matar o atual companheiro dela. O caso teria ocorrido em outubro de 2020 em Cajati (SP) —cidade a cerca de 230 quilômetros da capital paulista—, meses depois da separação do casal.

O despacho determinando o júri popular foi publicado no dia 25 de julho, mas a data do julgamento ainda não foi marcada.

O Ministério Público, que apresentou suas alegações finais em maio, pede que Orestes seja condenado por tentativa de homicídio com quatro circunstâncias qualificadoras, que podem elevar a pena. O sobrinho de Bolsonaro responde ainda a um segundo processo, por lesão corporal.

Qual é a acusação?

Segundo a colunista Juliana Dal Piva, do UOL, a denúncia do Ministério Público aponta que Orestes ainda tinha uma chave da casa onde a ex-mulher morava com o namorado, o comerciante Valmir Oliveira. Na manhã de 2 de outubro de 2020, ele invadiu a sala enquanto o casal dormia no sofá com um dos filhos de Orestes, de 3 anos.

Ao entrar no imóvel, Orestes teria atingido Oliveira com um pedaço de madeira e sacado uma arma de fogo. Nesse momento, a ex-mulher de Orestes saiu da casa com a criança, e os dois continuaram a luta corporal. No confronto, o sobrinho de Bolsonaro teria atirado contra Oliveira, mas errado o alvo.

Imagem de perfuração

Uma foto dos autos do processo, revelada pelo UOL no ano passado, mostra uma perfuração de bala na parede externa de um dos quartos da casa, onde dormia a filha mais velha de Orestes, de 9 anos. A menina não foi atingida. Ao deixar o imóvel, a ex-mulher de Orestes pediu ajuda e foi à polícia.

O sobrinho de Bolsonaro responderá por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido, contra o casal. Em relação à ex-mulher, pesa ainda a qualificadora de crime contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.

tiro - Reprodução processo contra Orestes Bolsonaro Campos - Reprodução processo contra Orestes Bolsonaro Campos
Foto do tiro disparado pelo sobrinho do presidente Jair Bolsonaro
Imagem: Reprodução processo contra Orestes Bolsonaro Campos

Qual é o parentesco com Bolsonaro?

Orestes, que nunca concorreu a um cargo eletivo e não faz aparições públicas com Bolsonaro, é filho de Denise Bolsonaro Campos, irmã do presidente. Em seu perfil no Facebook, há publicações de apoio às visões de Bolsonaro, especialmente em relação à pandemia, mas o presidente quase não é citado.

Procurado para comentar o caso, o advogado Alexander Neves Lopes, que defende Orestes, afirmou que deverá conversar com o cliente amanhã e só posteriormente irá se manifestar.

Sócio de clube de tiro

O UOL revelou, em julho, que Orestes foi, até o ano passado, sócio de um clube de tiro em Cajati. Segundo os documentos registrados na Junta Comercial de São Paulo, em março de 2020, ele constituiu a empresa ao lado do pai, o empresário José Orestes Fonseca Campos, e do irmão, Osvaldo Bolsonaro Campos.

Um mês após se tornar réu por tentativa de feminicídio, contudo, Orestes deixou a sociedade. Apesar de a empresa estar constituída há mais de dois anos, o clube de tiro ainda não consta entre os registrados pelo Exército para operarem, conforme a instituição confirmou ao UOL.

Em julho, a reportagem foi à sede do clube de tiro. Não há placa com informações sobre funcionamento ou sinal de que esteja aberto ao público. Segundo os vizinhos, o estande funciona no subsolo da casa onde Orestes mora.

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