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RJ: Irmão de braço direito de governador emprega namorada em cargo secreto

O deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL) (esq.) com o irmão e vereador Marquinho (Solidariedade) e a namorada Bárbara Lima - Reprodução
O deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL) (esq.) com o irmão e vereador Marquinho (Solidariedade) e a namorada Bárbara Lima Imagem: Reprodução

Do UOL, no Rio

04/08/2022 18h30

A namorada do vereador de Campos dos Goytacazes (RJ) Marquinho Bacellar (Solidariedade) recebeu R$ 22.339 neste ano em dinheiro vivo por meio de um cargo secreto da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro).

Marquinho é irmão do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), braço direito e atual líder do governo de Cláudio Castro (PL) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), que vem sendo apontado como o principal articulador político dos cargos da Ceperj.

A namorada do vereador, Bárbara Silveira dos Santos Lima, recebeu dois pagamentos de R$ 11.169 que foram sacados nos dias 14 de junho e 11 de julho na agência do Bradesco em Campos, conforme planilha enviada pelo banco ao MP-RJ (Ministério Público do Rio). Em redes sociais, ela aparece não só com Marquinho, como também em eventos com Rodrigo Bacellar.

Essa agência concentrou mais de R$ 12 milhões em pagamentos da Ceperj somente este ano. Um dos saques de Bárbara, o do dia 14 de junho, ocorreu na mesma data em que foi registrado um total de R$ 536 mil em retiradas em espécie.

Para dar conta do volume de funcionários da Ceperj, o banco chegou neste ano a montar uma tenda na área externa para auxiliar na triagem das pessoas que realizavam os saques.

O UOL telefonou e mandou mensagens para o celular do vereador, mas ele não respondeu. O governo do Rio vem alegando que os cargos não são preenchidos por meio de indicações políticas.

'Não sou ladrão'

Nesta quinta (4), Rodrigo Bacellar fez seu primeiro pronunciamento sobre as denúncias envolvendo a Ceperj, focando principalmente em ataques à imprensa.

"A gente tem que separar o joio do trigo para que o cidadão de bem não pague a conta por espetáculos midiáticos", disse ele, no plenário da Alerj.

Reportagens que o UOL vem publicando desde maio foram a base de ação do MP-RJ que culminou esta semana com a suspensão de pagamentos na "boca do caixa" e novas contratações sem transparência da fundação.

Bacellar disse que os projetos realizados pela Ceperj têm tido impacto social no estado e afirmou que, "de dez anos para cá, nunca se viu fazer tanto pelo Rio".

"Não tenho medo de crítica, não tenho medo de imprensa, não tenho medo de porrada porque eu não sou ladrão. Se o pecado do governo é gerar emprego, é levar comida para a boca de quem precisa, me condenem. Eu prefiro ser condenado a continuar político. Não vão me ver fazendo sacanagem como fizeram muitos conterrâneos meus, levando inclusive sacolas de dinheiro para casa."

Nesta quinta-feira, a pressão por mais investigações aumentou na própria assembleia legislativa. A comissão de Tributação da Casa, presidida pelo deputado Luiz Paulo (PSD), aprovou um ofício ao TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio) pedindo uma auditoria em todos os projetos realizados pela Ceperj.

O Tribunal, por enquanto, se debruçou apenas sobre o Esporte Presente. Já encontrou diversos indícios de irregularidades e cobrou da fundação medidas por mais transparência nas contratações.

"No recesso, estourou um escândalo no governo do estado que, ao longo dos meus cinco mandatos, não tinha visto nada com tal dimensão, que foi o escândalo da Ceperj. Esta questão não está passando despercebida nem pelos órgãos de controle e também não pode passar despercebida pelo parlamento fluminense", afirmou Luiz Paulo.

O que o UOL já revelou

Em reportagem exclusiva, o UOL mostrou em junho que o governo do Rio mantém ao menos 18 mil vagas de trabalho na Ceperj sem nenhuma transparência.

Levantamento feito com dados da Secretaria Estadual de Fazenda mostrou que Cláudio Castro aumentou em 25 vezes o orçamento da fundação desde que assumiu o cargo. Somente neste ano, o incremento chegou a R$ 300 milhões até junho.

Uma planilha elaborada pela Secretaria de Trabalho implica diretamente Castro no escândalo. O documento recebeu o nome de "governador" e tratava do orçamento para 9.000 cargos secretos. Procurada, a Secretaria de Trabalho afirmou que iria apurar se houve "um erro na confecção da planilha".

Após a revelação do UOL, o governo chegou a colocar o documento sob sigilo, mas voltou atrás.

Reportagem exclusiva também mostrou que polos do programa Casa do Trabalhador, o maior dentre os que têm folhas de pagamento secretas, estão sendo controlados por pré-candidatos do Podemos, partido presidido pelo secretário de Trabalho e Renda, Patrique Welber. A pasta afirmou que "as unidades do projeto são equipamentos públicos e não têm finalidade político-partidária".

A Ceperj usou um código genérico para esconder os beneficiados em R$ 284 milhões pagos aos cargos secretos.

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