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Bolsonaro sobe tom contra Jefferson e chama aliado de 'bandido'

Do UOL, em São Paulo

23/10/2022 19h22Atualizada em 23/10/2022 23h51

O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, elevou o tom contra o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que até hoje era seu aliado político. Nas redes sociais, Bolsonaro fez um post em que chama Jefferson de "criminoso" e, em vídeo, disse que o ex-deputado teve "tratamento" de "bandido" após atirar em agentes da Polícia Federal.

Como determinei ao ministro da Justiça, Anderson Torres, Roberto Jefferson acaba de ser preso. O tratamento dispensado a quem atira em policial é o de bandido. Presto minha solidariedade aos policiais feridos no episódio."
Bolsonaro, em vídeo

A mensagem foi divulgada poucos minutos após o ex-deputado se entregar aos agentes e delegados. Jefferson deixou sua residência às 19h deste domingo (23) em uma viatura preta, escoltada por outras duas, sendo uma caracterizada da PF. Ele foi levado à Superintendência da PF no Rio.

Manifestantes entoaram gritos de apoio ao ex-parlamentar. Equipes do Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio) deixaram o local em seguida.

Pouco antes da saída do ex-deputado, um reboque retirou outro carro da PF que havia chegado mais cedo, com diversas marcas de tiros no para-brisa.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente, repudiou "qualquer agressão a policial" e prestou solidariedade aos feridos. "Outro ato injustificável foi a agressão de um único covarde ao cinegrafista da Globo", afirmou.

"Injustificável" fala de Jefferson sobre Cármen Lúcia

Bolsonaro participa de entrevista à Record TV na noite deste domingo. Ao chegar, fez um anúncio à imprensa. Ele repudiou as ações de Jefferson contra a polícia e disse ser "injustificável" as ofensas machistas publicadas sobre a ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal).

No vídeo, Jefferson xinga a ministra Cármen Lúcia, do Supremo, e a compara com "prostitutas", "vagabundas" e "arrombadas". Ele estava proibido de usar as redes sociais, justamente por outra ordem de Moraes. A gravação foi publicada no perfil da filha de Jefferson, a ex-deputada federal Cristiane Brasil (PTB), que teve a conta suspensa hoje.

Em pronunciamento na Record e durante a sabatina, o candidato à reeleição rapidamente desviou o foco do caso e falou do PT, citando a existência de uma foto de Jefferson com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "unidos no Mensalão".

Bolsonaro chamou Lula de "chefe da organização" e "criminoso que se comporta como oportunista agora", por ter condenado os ataques de Jefferson contra a PF.

"Não tem foto dele comigo"

Desde a tarde de hoje, Bolsonaro trabalha para desvincular sua imagem da de Jefferson. Durante live promovida no YouTube ao lado do candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), Bolsonaro falou sobre o ex-deputado: "Não tem uma foto dele comigo".

No entanto, em publicações realizadas no Instagram pessoal de Roberto Jefferson há fotos dele ao lado de Bolsonaro. Em uma postagem datada de 14 de abril de 2021, o ex-deputado escreveu: "Meu Presidente encarna todos os meus credos. Prometo defendê-lo enquanto pólvora tiver". Há várias outras fotos dos dois juntos pelas redes sociais.

Roberto Jefferson tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e foi recebido por Bolsonaro no dia 3 de agosto de 2021, dez dias antes de ser preso pela PF, no dia 13 daquele mesmo mês e ano. O encontro foi registrado na agenda oficial do presidente. O ex-deputado foi preso por participar de uma suposta organização criminosa que atua nas redes sociais para atacar a democracia, além de ter ameaçado a integridade física dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Moraes parabeniza PF e presta solidariedade a policiais

Após a rendição de Roberto Jefferson, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes parabenizou o trabalho realizado pela PF e prestou solidariedades a dois agentes feridos ao tentar cumprir o mandado de prisão.

"Parabéns pelo competente e profissional trabalho da Polícia Federal, orgulho de todos nós brasileiros e brasileiras. Inadmissível qualquer agressão contra os policiais. Me solidarizo com a agente Karina Oliveira e com o delegado Marcelo Vilella que foram, covardemente, feridos", escreveu em rede social.

Entenda o caso

Hoje mais cedo, Roberto Jefferson reagiu com tiros contra agentes da Polícia Federal que cumpriam uma decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de prendê-lo em sua casa, em Comendador Levy Gasparian, a cerca de 140 km do Rio.

A PF informou que agentes foram à casa de Jefferson para cumprir a ordem de prisão e o alvo reagiu à abordagem, quando os agentes se preparavam para entrar na residência. Dois policiais, sendo uma mulher, foram atingidos por estilhaços. Segundo a corporação, eles foram levados a um pronto-socorro, tiveram por atendimento médico e passam bem.

A ordem de prisão aponta o descumprimento de medidas cautelares por parte de Jefferson. Na decisão, Moraes pediu prisão, busca e apreensão e proibiu entrevistas.