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9 meses

Jean Wyllys diz que voltará ao Brasil e que vai contribuir com governo Lula

Do UOL, em São Paulo

04/05/2023 11h40Atualizada em 04/05/2023 14h05

O jornalista e ex-deputado Jean Wyllys (PT) diz que voltará ao Brasil até julho apesar de ainda receber ameaças da extrema direita. Ele está exilado desde 2019, quando renunciou ao cargo de deputado federal por temer pela própria vida.

Ele foi entrevistado hoje por Fabíola Cidral, Tales Faria e Chico Alves no UOL Entrevista.

Nos exilamos durante o governo Bolsonaro por causa da violência. Começamos a articular a volta e conversamos com Silvio Almeida [ministro de Direitos Humanos], que está organizando nosso retorno. A expectativa é de que no final de junho, início de julho, eu esteja de volta.

Sigo recebendo ameaças de integrantes da seita de extrema direita. Tentaram assassinar minha reputação.

Wyllys também disse que o presidente Lula pediu para que ele volte e que contribua com o governo.

Provavelmente quando voltar eu vou cumprir alguma função no governo dentro das áreas em que eu atuo, como combate à desinformação e defesa dos direitos humanos.

Possível prisão de Bolsonaro

Jean Wyllys diz que se sentirá livre se eventualmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) for preso.

Quando Bolsonaro for para a cadeia, eu e muitas pessoas se sentirão livres porque vai se desbaratar um pouco essa seita que se organizou em torno dele.

Não só acho que Bolsonaro acabará preso como desejo. Alguma justiça tem que haver para tudo que Bolsonaro perpetuou como presidente e deputado.

Wyllys também brincou com a linguagem usada por Bolsonaro no Twitter e comentou sobre a operação da PF que investiga a falsificação da carteira de vacinação de Bolsonaro e da filha Laura.

Ontem eu tive a sensação de que a justiça começava a acontecer. Não celebrei no Twitter, só vou escrever 'Grande dia', como ele fez quando foi anunciado que eu me exilei, quando ele e o filho Carlos forem presos.

Essa adulteração de documentos públicos é prática da família Bolsonaro. No golpe contra a Dilma, cuspi na cara de Bolsonaro e foi o único ato de dignidade daquela noite. O filho de Bolsonaro pegou as imagens, que são documentos públicos, e adulterou para dizer que planejei o cuspe. O Conselho de Ética aceitou a fraude.

Bolsonaro me transformou em opositor dele sem que eu quisesse, diz Jean Wyllys

Wyllys afirmou que não era seu desejo ser opositor de Bolsonaro na Câmara, na época em que os dois eram deputados.

Bolsonaro me transformou num opositor dele sem que eu quisesse, sem que eu tenha escolhido.

Esse sujeito não está num nível para ser meu contraponto. Ele é asqueroso, escroque, nunca chegou perto de um livro, mas ele forçava a barra e contava com a homofobia para isso.

Depoimento de militar que diz saber quem matou Marielle deve ser levado a sério

Wyllys comentou sobre o major reformado Ailton Barros, que enviou mensagens ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, dizendo saber quem era o mandante da morte da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

Esse Ailton Barros pode estar blefando, mas o depoimento tem que ser levado a sério. Nessas estruturas mafiosas, principalmente nesse momento de troca de favores, o blefe pode ser usado para se cacifar diante do chefe, que, no caso, era o presidente da República.

Precisamos descobrir quem matou e quem mandou matar Marielle para que a democracia brasileira possa ser restituída.

Wyllys também diz que a família Bolsonaro está indiretamente relacionada ao assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes.

As armas do assassino foram encontradas numa casa no mesmo condomínio que Bolsonaro mora. É evidente a relação indireta com milícias.

Outro fato que não podemos esquecer é que o assassinato aconteceu sob intervenção militar no Rio, comandada pelo general Braga Netto. Depois, ele virou ministro de Bolsonaro.

Segundo Wyllys, "talvez" seja a hora de Braga Netto dizer alguma coisa porque tem "muitas contribuições a dar".

Veja a íntegra do UOL Entrevista