Sabesp: oposição discursa para atrasar votação; crise da Braskem é citada

Sete deputados de oposição fizeram uso dos 15 minutos de tribuna a que têm direito nas primeiras duas horas de debate sobre a privatização da Sabesp, nesta segunda-feira.

O que aconteceu

Projeto precisa ser discutido por seis horas antes de ser votado na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Depois de cumprido esse prazo, a base aliada pode pedir o encerramento do debate e a realização da votação, caso tenha 48 votos.

Oposição tenta atrasar a votação. Deputados que são contra a aprovação da privatização tiram dúvidas e pedem recontagem dos presentes de tempos em tempos — entre outros instrumentos — para que a votação demore mais a acontecer.

Representantes do PT são maioria entre oradores. Foram à tribuna os deputados petistas Eduardo Suplicy, Jorge do Carmo, Luiz Marcolino, Reis, Rômulo Fernandes e Paulo Fiorilo. Além deles, também falou Andrea Werner (PSB).

Expectativa é que votação aconteça na quarta-feira (6). A base acredita que o texto seja aprovado com aproximadamente 50 votos, que são mais do que os 48 necessários para passar o projeto.

Governo já liberou R$ 170 milhões por privatização da Sabesp, diz deputada. Segundo Mônica Seixas (PSOL), o dinheiro foi pago pelo governador para atender a 107 pedidos feitos pelos deputados estaduais. A lista completa tem 1.437 pedidos e soma quase R$ 700 milhões.

Tarcísio de Freitas liberou R$ 20 milhões em emendas voluntárias para cada deputado aliado, explica deputada. Na última semana, o governador disponibilizou R$ 10 milhões para cada um em troca do apoio à privatização. Uma nova rodada de liberação de emendas do mesmo valor foi iniciada nesta semana. Os números foram confirmados pelo deputado Emídio (PT) em fala na tribuna.

Aliado compara privatização a título do Palmeiras. Na tribuna, Lucas Bove (PL) disse que a autorização na Alesp para transferência do controle da empresa é tão certa quanto a conquista do campeonato brasileiro pelo time paulista. A fala do governista ocorreu na segunda sessão de debates, iniciada às 19h10.

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Crise da Braskem em Maceió é lembrada

Deputada disse que empresa "ignorou riscos". Andrea usou a Braskem como exemplo de como a iniciativa privada opera para criticar venda da Sabesp.

Petista cita reportagem do UOL sobre tarifas do metrô para criticar privatização. O deputado Marcolino mencionou investigação que apontou dados inéditos sobre o sistema de cobrança do transporte público em São Paulo.

Governo quer diminuir participação na Sabesp de 50% para até 15%. O projeto de privatização prevê que o Estado mantenha poder de veto sobre alguns pontos e cria um fundo para universalização do saneamento, que será usado para subsidiar a tarifa e financiar ações de saneamento básico — entre outras finalidades.

Críticos apontam falta de plano de investimento para dinheiro a ser obtido com a venda de ações. Para muitos, o pouco detalhamento faz com que o projeto de lei seja "um cheque em branco". Já o Governo do Estado argumenta que ter mais detalhes engessaria o texto e que o plano será divulgado nos próximos meses.

O que dizem os deputados estaduais

A Braskem ignorou os riscos e hoje temos um bairro inteiro afundando. O lucro é privado, mas o prejuízo é público.
Andrea Werner (PSB)

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O projeto é polêmico, mas a articulação do governo foi boa e temos maioria ampla na casa para aprová-lo.
Gilmaci Santos (Republicanos)

A chance de a gente não privatizar a Sabesp aqui na quarta-feira é a mesma chance do Palmeiras perder o título: nenhuma.
Lucas Bove (PL)

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