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Sem casos confirmados, Rio promete hospital para coronavírus

Do UOL, no Rio e em São Paulo

28/02/2020 19h54Atualizada em 29/02/2020 19h33

Resumo da notícia

  • Estado tem 17 casos suspeitos e nenhum confirmado
  • Ministro da Saúde defendeu o isolamento domiciliar
  • Unidade hospitalar no Rio está em construção e tem previsão de ficar pronta em até 40 dias
  • Segundo secretário estadual, hospital deve atender casos graves

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio planeja destinar um hospital exclusivamente para atender casos graves de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. No momento, há 17 casos suspeitos no estado, mas nenhum confirmado.

A promessa foi feita um dia depois de o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarar em São Paulo que a construção de um hospital em poucos dias pela China, apesar de ter mostrado o país como uma "potência", acabou por disseminar a doença. A declaração foi dada em resposta a um questionamento sobre o isolamento domiciliar do primeiro paciente com diagnóstico confirmado da doença no país.

A estratégia de isolamento domiciliar deve ser mantida também no Rio, mas o estado pretende alocar os pacientes graves para a nova unidade, que já vinha sendo construída e tem previsão de ficar pronta em até 40 dias.

Segundo o plano de contingência adotado no estado, os 75 leitos do novo hospital passarão a ser destinados apenas para o tratamento de pacientes com Covid-19 caso a situação se agrave. O mesmo o ocorrerá com uma ala de um hospital já em funcionamento, com 20 leitos. O

O secretário Edmar Santos não divulgou quais são esses hospitais para evitar uma correria da população às unidades. "Esses hospitais receberão apenas pacientes referenciados pela rede", afirmou.

Os municípios do estado com casos suspeitos são: Rio de Janeiro com 8 casos (6 residentes e 2 turistas), Niterói com 3 casos, Maricá, Macaé, Nova Friburgo, Resende e Nova Iguaçu com 1 caso cada. Há ainda um caso notificado por Niterói sem confirmação do município de residência do paciente.

Assim como o ministro da Saúde, o coordenador do Centro de Contingência do Covid-19 em São Paulo e médico infectologista David Uip defendeu o isolamento domiciliar para casos confirmados da doença. "A grande maioria dos pacientes apresentará sintomas mínimos. Nos casos mais graves, a minoria, eles buscarão hospitais especializados. Paciente com tosse e febre fica em casa para ser hidratado, se alimentar bem e repousar. (...) A China hospitalizou todos os pacientes e deu no que deu."

No Brasil, segundo último boletim do Ministério da Saúde, há 182 casos suspeitos da doença no país.

Turistas em Paraty saíram de lista de casos suspeitos

O número divulgado pelas autoridades fluminenses é menor do que o informado no último balanço do Ministério da Saúde, que aponta 19 casos suspeitos no Rio. A diferença ocorre porque dois turistas franceses, que estavam internados compulsoriamente em Paraty, na Costa Verde, tiveram o diagnóstico de Covid-19 descartado nesta tarde.

Segundo o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde hoje, o país tem 182 casos suspeitos de covid-19 em 16 unidades da federação.

O secretário de Saúde afirmou que não há motivo de pânico para a população. Ele garantiu que não há circulação do vírus no Brasil nesse momento.

"Não há nenhuma evidência de que o coronavírus esteja circulando no nosso meio, no Brasil. É diferente receber casos isolados, de pessoas que vieram de fora, e de transmissão no Brasil ou no nosso estado", disse.

Santos, porém, admitiu que em algum momento deve haver uma epidemia no estado, já que é muito difícil evitar a propagação de vírus transmitidos por via respiratória

"Impedir a chegada do vírus não dá. Impedir que ele circule também não. Eu acho que a gente terá, sim, uma epidemia de coronavírus em algum momento. Mas quero tranquilizar a população de que não temos no momento. Não temos o vírus no Rio de Janeiro e não há circulação no Brasil"

Alerta em quatro níveis e fake news

O plano de contingência adotado no Rio envolve autoridades estaduais, municipais e a rede privada. Foi criada uma escala de alerta de quatro níveis. Atualmente o estado se encontra no nível zero, o menos grave, quando não há presença ou circulação do vírus no Rio.

O nível um será acionado quando houver circulação em pequena escala. O dois em caso de epidemia na região metropolitana. O três, nível mais grave, será acionado em caso de um surto de grandes proporções, como ocorre na China

O delegado Delmir da Silva Gouvêa, diretor do DPGE (Departamento Geral de Polícia Especializada) afirmou que a DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática) vem conduzindo pesquisas em redes sociais e investigações para identificar responsáveis por difundir de maneira dolosa notícias falsas sobre o coronavírus.

"Os responsáveis serão identificados e responsabilizados".

Saúde