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2 presos em Guarulhos morrem no mesmo dia após sentirem falta de ar

Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, onde dois presos morreram hoje sob suspeita de estarem com coronavírus - Divulgação
Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, onde dois presos morreram hoje sob suspeita de estarem com coronavírus Imagem: Divulgação

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

28/03/2020 16h47Atualizada em 29/03/2020 12h22

Resumo da notícia

  • Homens de 65 e de 43 anos morreram entre a madrugada e a manhã de hoje
  • Suspeita entre agentes e enfermeiro é de que ambos estavam com coronavírus
  • Oficialmente, as duas mortes foram registradas como naturais

Entre a madrugada e a manhã de hoje, dois homens que estavam presos na penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, morreram após terem sentido dificuldade para respirar. Um tinha 65 e o outro tinha 43 anos.

Segundo a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), a assistência social da unidade tentava contato com os familiares, até a publicação desta reportagem, para informá-los do óbitos.

De acordo com boletins de ocorrência registrados no 6º DP (Distrito Policial) de Guarulhos, ambos tiveram morte natural. Um enfermeiro no HMU (Hospital Municipal de Urgência), no entanto, afirma que os dois chegaram com falta de ar.

Os principais sintomas de coronavírus são semelhantes aos de uma gripe comum, como febre alta, por exemplo, mas também inclui a dificuldade para respirar. Oficialmente, o governo não inclui as duas mortes de hoje como casos suspeitos de covid-19.

Segundo a SAP, o preso que faleceu na madrugada tinha histórico de internações hospitalares por obstipação grave e cardiopata. "Ele tinha 65 anos e o falecimento foi causado por complicações causadas por uma úlcera", informou a secretaria.

Já o preso que morreu por volta das 5h de hoje, de 43 anos, passou mal na noite anterior, "sendo prontamente atendido na enfermaria, onde teve súbita queda da pressão arterial. Ele foi imediatamente transferido para o HMU onde faleceu por infarto".

Agentes com medo de exposição

Agentes penitenciários de todo o estado têm dito à reportagem, na última semana, que estão receosos para trabalhar. Eles dizem que, uma vez dentro do sistema penitenciário, o vírus pode se alastrar rapidamente a todos, incluindo funcionários dos presídios.

Um dos agentes afirmou que o estado disponibilizou álcool gel, máscaras e luvas nas unidades prisionais, mas não o suficiente. Ele afirmou que a quantidade é pequena e que não abrange todos os setores da prisão.

"A gente já está acostumado a sair de casa sem saber se vai voltar. Mas com essa nova questão, do coronavírus, isso também chega para a nossa família. A gente pode colocar a família também em risco", afirma Fábio Jabá, presidente do Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo).

Jabá diz estar em contato com três agentes penitenciários que testaram positivo para coronavírus em São Paulo. "Imagina como eles estão se sentindo? Não têm nenhum apoio da secretaria", acrescenta.

Plano de contingência da SAP

Por meio de nota, a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) informou que foi elaborado um plano de contingência para caso haja suspeita de contaminação de coronavírus em alguma unidade prisional do estado.

"Todo servidor com suspeita de diagnóstico da covid-19 está devidamente afastado sob medidas de isolamento em sua residência, conforme orientações do Comitê de Contingência do coronavírus, e a secretaria acompanha seu quadro clínico, fornecendo todo o suporte necessário para sua recuperação", diz a pasta.

Após a publicação, a SAP contestou a reportagem. "Não é verdade que os presos estivessem com falta de ar. Embora em posse da informação, que demonstrava que as mortes foram causadas por outros enfermidades sem relação com questões pulmonares, a reportagem preferiu criar alarmismo", se posicionou a pasta.

"Sobre os materiais de proteção, incluindo álcool gel e equipamentos de proteção individual, estão sendo adquiridos e distribuídos para as unidades prisionais. Nesta segunda, 30, começa a distribuição de mais 10 mil litros de álcool gel. Em relação as máscaras de proteção, desde a última quarta (25), cerca de 250 reeducandos de várias regiões do Estado, de penitenciárias masculinas e femininas, confeccionam máscaras de proteção descartáveis para uso em procedimento simples (não-cirúrgicos)", complementou.

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