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Mandetta não participa de coletivas sobre situação do coronavírus

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em Brasília - ADRIANO MACHADO
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em Brasília Imagem: ADRIANO MACHADO

Do UOL, em São Paulo

13/04/2020 18h11

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi desfalque das coletivas de hoje realizadas no Palácio do Planalto para discutir a situação do coronavírus no Brasil, apesar da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) colocar o médico entre os possíveis participantes horas antes.

O caso acontece um dia após o ministro dar uma entrevista à Globo, em que afirmou esperar "uma fala unificada e o fim da dubiedade" entre suas orientações e as do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito das medidas de combate à expansão da pandemia do coronavírus.

Na primeira coletiva, apenas com ministros, Damares Alves (Direitos Humanos) e Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) foram os únicos presentes para debater novas medidas adotadas pelo governo.

Ainda sobre a coletiva dos ministros, a Secom tinha dito que o ministro da Casa Civil, Braga Neto, e o ministro da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, deveriam participar, mas a dupla também foi desfalque.

Já a coletiva com informes técnicos do Ministério da Saúde, sobre os dados mais recentes da pandemia no país, contou apenas com a participação dos secretários de Mandetta. Logo na abertura, o secretário-executivo João Gabbardo dos Reis explicou por que Mandetta não participou da apresentação.

"Antes que vocês queiram perguntar, o ministro Mandetta pediu para que nós iniciássemos a reunião. Ele está em outro compromisso e, se der tempo, ele vai chegar ainda para dar continuidade [à coletiva] ", informou Gabbardo aos jornalistas. O ministro não chegou a tempo para coletiva.

Repercussão de entrevista para a Globo

Em entrevista à Globo ontem, Mandetta afirmou que espera mais um alinhamento entre o Ministério e o presidente. "Isso leva para o brasileiro uma dubiedade, ele não sabe se ele escuta o ministro da saúde ou se escuta o presidente da República", afirmou.

Em tom mais comedido que no início da pandemia, Mandetta também voltou a defender que a população brasileira permaneça em casa, posição contrária à defendida pelo presidente. Ainda assim, afirmou que o governo federal precisa passar uma "fala única" à população.

Hoje pela manhã, Bolsonaro afirmou que "não assiste à TV Globo" para evitar comentar a entrevista do ministro ao "Fantástico".

Ao deixar o Palácio da Alvorada, Bolsonaro parou para conversar com seus apoiadores, como de costume. Prontamente, foi questionado sobre as declarações de Mandetta e, visivelmente irritado, respondeu que não seria agora que ele começaria a assistir à TV Globo.

Bolsonaro tem uma relação conflituosa com a emissora e com a imprensa em geral, a quem acusa de perseguição. Constantemente, o presidente ataca empresas e profissionais de comunicação.

Ao fim da conversa com os apoiadores, o mandatário evitou o contato com os jornalistas que o aguardavam na portaria do Alvorada, mas foi questionado à distância sobre a situação de Mandetta após a entrevista ao Fantástico. Mais uma vez, respondeu: "Para toda a imprensa: eu não assisto à TV Globo".

Na sequência, Bolsonaro entrou no carro oficial e deu ordem para que o comboio deixasse a residência oficial do governo rumo ao Palácio do Planalto.

O Ministério da Saúde anunciou hoje que subiu para 1.328 o número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil — 105 mortes confirmadas nas últimas 24 horas. Até ontem, eram 1.223 óbitos.

No total, são 23.430 casos oficiais no país até agora, segundo o Ministério, com 1.261 diagnósticos de ontem para hoje. A pasta do governo não informa dados de curados da covid-19.

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