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Coronavírus

Líder de Bolsonaro critica Mandetta e governistas atacam quarentena e Doria

Gabriel Sabóia e Eduardo Militão

Do UOL, no Rio e em Brasília

13/04/2020 16h02

Resumo da notícia

  • Major Vítor Hugo diz que Mandetta agiu sem ética em entrevista
  • Outro líder governista, Eduardo Gomes tentou esfriar ânimos
  • Governistas defendem isolamento menos rígido contra covid-19
  • Para eles, PM vai ignorar o que consideram "ordens absurdas" de Doria

Parlamentares governistas que participaram hoje do UOL Debate criticaram a entrevista dada ontem pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao Fantástico, da TV Globo. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também foi alvo de críticas por ameaçar prender quem furar o isolamento social determinado por decretos para frear a pandemia do coronavírus.

Participaram do debate os deputados federais Carla Zambelli e Coronel Tadeu (ambos do PSL-SP), Osmar Terra (MDB-RS), Major Vitor Hugo (PSL-GO), além do senador Eduardo Gomes (MDB-TO). Os cinco parlamentares governistas participaram das discussões mediadas por Tales Faria, colunista do UOL (assista abaixo à integra da conversa).

Bolsonaro x Mandetta

Líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo disse que "ninguém é insubstituível", após ser questionado sobre a entrevista de Mandetta ao Fantástico. "Acho que o ministro erra quando incita qualquer divergência com o presidente da República, que é o chefe dele", completou.

O líder avaliou que Mandetta agiu contra a ética. "Mas fazer isso de maneira isolada e dando a entender que está criticando a atitude do presidente, na minha visão, não é uma atitude correta e ética."

Na entrevista, Mandetta afirmou que espera "uma fala unificada e o fim da dubiedade" —o que foi interpretado como indireta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Vítor Hugo chegou ao debate apenas na parte final. Após a fala dele, a deputada federal Carla Zambelli opinou dizendo que uma eventual demissão de Mandetta não geraria desgaste tão grande ao governo.

"Acho que seria desgastante para o governo ele fazer uma demissão na semana passada. Se ela acontecesse hoje, depois do que ele fez ontem [a entrevista], acho que a população [aceitaria]", disse Carla Zambelli. Major Vítor Hugo concordou com a colega.

Antes da chegada de Vítor Hugo ao debate, a deputada, Osmar Terra, Gomes e Coronel Tadeu haviam colocado panos quentes nos desentendimentos entre Mandetta e Bolsonaro e com o próprio Osmar Terra. "Em Brasilia, as pessoas conversam", disse Zambelli. "A gente tem que fazer menos especulação em momentos de crise."

Líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes também havia minimizado os atritos entre o ministro da Saúde e o presidente na entrevista de domingo à noite. "Na mesma entrevista, o ministro da Saúde diz que é o presidente da República quem nomeia", destacou o senador.

Terra diz que epidemia termina em maio

Deputado e ex-ministro, Osmar Terra contrariou previsões do Ministério da Saúde. Além de voltar a afirmar que o isolamento não reduz o número de casos de coronavírus, Terra disse que avalia que a epidemia se encerra em maio no Brasil.

"Ele já está chegando no pico. Ele deve chegar essa semana, se já não chegou. A dúvida é se dia 8 de abril foi o pico. Dia 8 teve um número muito elevado de casos novos —2.200 casos novos. Nos dias seguintes, 9, 10, 11, 12, não teve nenhum número que superou isso. Pode ser o início. Acho que temos que esperar até o final da semana", acrescentou.

"O que nós estamos vendo é que estamos chegando neste ponto. Eu vi o ministério [da Saúde] falando que vai chegar em junho, final de junho, final de maio... Eu estou convencido que o pico é agora, e termina em maio. Graças a Deus, essa epidemia termina no final de maio", projetou Osmar Terra.

Terra afirmou que a quarentena não reduz casos de covid-19 e só traz prejuízos econômicos laterais. "O que quero dizer é que todo esse sofrimento, quarentena, lojas fechadas... Não resolveu. A curva está seguindo normal."

PM não seguirá ordens "absurdas", diz Coronel Tadeu

O deputado Coronel Márcio Tadeu (PSL-SP) disse que "a Polícia Militar não vai cumprir nenhuma ordem absurda do governador" de São Paulo, João Doria (PSDB). Ele destacou que os policiais só seguirão o que está de acordo com a lei.

"Ela deve obediência ao chefe do Estado, mas se o governador Doria, [Romeu] Zema [Novo-MG] ou qualquer um [tomar uma medida considerada absurda], pode ter certeza que a Polícia Militar não vai fazer isso."

Doria ameaçou prender pessoas que desrespeitassem a quarentena.

Tadeu destacou que a PM tem legitimidade para atuar contra aglomerações, mas que isso tem que ser baseado em conceitos utilizados hoje em dia —de quatro pessoas por metro quadrado. "Qual é o conceito [de aglomeração] que até agora eu não consegui entender? Quando tem concentração é quatro pessoas por metro quadrado. A partir daí ter três, dois em um metro quadrado não vale."

Zambelli diz que irá à PGR contra Doria

Durante o debate, Carla Zambelli defendeu o afrouxamento da quarentena antes da chegada do inverno. Afirmou que a atuação dos governadores, que têm recomendado maior isolamento, vai fazer com que a população passe fome. "As pessoas vão começar a ter fome e vão invadir supermercado, roubar. É isso o que acontece em grandes crises", disse.

A deputada também afirmou que vai pedir uma investigação da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra João Doria. A ação seria tomada "por conta das prisões arbitrárias [Doria ameaçou prender quem violasse normas do decreto de isolamento] e para que ele faça a distribuição de poderes para seus prefeitos".

Zambelli queria que Doria deixasse com os prefeitos, que conhecem a realidade de cada cidade, a decisão sobre fechar ou não comércios. Isso daria mais poder a quem observa a situação com maior proximidade, argumentou.

A deputada também afirmou que parte da população brasileira já está imunizada contra o coronavírus. "No Brasil, estamos num momento perfeito para enfrentar o vírus", garantiu. "Já temos uma quantidade de testes que estão chegando." Apesar da fala da deputada, até o momento, o país segue testando apenas pessoas em estado grave que apresentem os sintomas da doença.

O isolamento social é defendido pela OMS como a principal medida de combate à pandemia da covid-19. Segundo o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom, a precaução "é a única opção que temos" frente ao contágio internacional.

Dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde informam que o Brasil registra 22.169 casos do novo coronavírus, com 1.223 óbitos.

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