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Bolsonaro compartilha vídeo com críticas a Doria, Mandetta e isolamento

Carolina Antunes/Presidência da República
Imagem: Carolina Antunes/Presidência da República

Do UOL, em São Paulo

15/04/2020 10h13

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), compartilhou em suas redes sociais um vídeo no qual o escritor Guilherme Fiuza faz críticas ao governador de São Paulo, João Doria, e ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O vídeo ainda contesta a eficácia do isolamento social no combate à pandemia do novo coronavírus.

Chamado de 'Os Sócios da Paralisia', o vídeo com narração de Fiuza diz que Doria "assumiu a paternidade" da cloroquina, que o ministro da Saúde "explicou que traficante também é gente" e fala em "show mórbido" na abordagem dos efeitos da pandemia.

"Você está em casa assistindo o governador de São Paulo assumir a paternidade da cloroquina, o ministro da saúde explicar que traficante também é gente, jornais estrangeiros publicando fotos de covas abertas para dizer que o Brasil não tem mais onde enterrar seus mortos, entre outras referências intrigantes e estridentes ao mesmo assunto. Se você está paralisado, é porque você já sabe que isso é um show mórbido, mas você está esperando que alguém, te diga isso" diz parte do vídeo narrado por Fiuza.

A referência a Doria é por conta de uma declaração em entrevista recente na qual o governador o disse que foi o coordenador Centro de Contingência ao Coronavírus de São Paulo, David Uip, que indicou o uso de cloroquina ao ministro da Saúde.

Na ocasião, Bolsonaro defendia com veemência o uso da cloroquina no combate à covid-19, tendo escrito no Twitter que "falava há 40 dias" do medicamento como uma das soluções para a pandemia.

Estudos indicam uma possível eficácia da cloroquina contra o vírus em experimentos feitos em laboratório, ou seja, sem que a droga tenha sido utilizada por pacientes. Mas ainda não há comprovação de sua eficácia no uso clínico e, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os estudos disponíveis sobre esses medicamentos não são conclusivos.

O Ministério da Saúde autorizou que médicos utilizem as substâncias para pacientes graves, que estão internados, e pacientes críticos, que estão em leitos de UTI. Também está em estudo a autorização de seu uso para pacientes com quadros leves.

Citação a Mandetta

A referência do vídeo a Mandetta, de que ele "explicou que traficante também é gente", tem como origem uma entrevista na última semana na qual o ministro admitiu que, para combater a epidemia, nas favelas seria preciso "dialogar" com narcotraficantes e milicianos, que controlam diversas regiões nas grandes cidades brasileiras.

"Você tem que entender a cultura, a dinâmica. Ali a gente tem que entender que são áreas que muitas vezes o estado está ausente, que quem manda é o tráfico, quem manda é a milícia. Como é que a gente constrói essa ponte em nome da vida e da saúde? Dialoga sim, com o tráfico, com a milícia, porque eles também são seres humanos e eles também precisam colaborar, ajudar, participar", disse Mandetta.

O ministro está em rota de colisão com Bolsonaro e pode ser demitido a qualquer momento. A principal divergência é em relação ao isolamento social como meio de combate à disseminação do vírus, estratégia defendida por Mandetta e contestada pelo presidente.

No vídeo, Fiuza também questiona a eficácia do isolamento social, citando Nova York e Itália. "Onde estão os mapas do resultado direto do isolamento total na contenção da epidemia, ou na suavização dos picos? Eles não existem", diz a narração, que ainda chama os defensores do lockdown de "invencíveis", questiona a postura da OMC e diz que a eficácia de ficar em casa permanece como "hipótese".

Porém, a grande maioria de epidemiologistas, virologistas e cientistas indicam o isolamento social como única forma eficaz de evitar a rápida disseminação do novo coronavírus, o que sobrecarregaria o sistema de saúde do país. A OMS também recomenda a quarentena como forma de controle, sendo que recentemente ela estipulou seis requisitos para um país cumprir antes de relaxar o isolamento.

Nos casos de Nova York e Itália, dois dos locais mais atingidos pela pandemia, estudos indicam que a antecipação do isolamento teria reduzido a curva de contágio e atenuado o pico de mortes diárias pela doença, que no país europeu chegou a quase mil. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi um dos que mudou de postura ao longo da pandemia e, respaldado por especialistas, disse que o isolamento social nos últimos dias poupou milhares de vida no país.

Mais críticas a Doria

No vídeo, a narração de Fiuza crítica o modelo seguido pelo governo de São Paulo que indica 70% como taxa de isolamento ideal para controlar a disseminação do novo coronavírus e questiona a possibilidade de mais restrições, citando o acompanhamento do isolamento por meio de telefones celulares. "Está usando operadoras de telefonia para vigiar os passos dos seus reféns", diz Fiuza.

O governo de São Paulo alega que o número de 70% de isolamento social é o que autoridades de saúde avaliam como percentual mínimo para evitar a sobrecarga dos hospitais por conta da demanda de doentes por covid-19. O governo também alega que o monitoramento de deslocamentos respeita regras de privacidade e não é invasivo.

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