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Brasil triplicará análises e terá 30 mil testes por dia de covid em maio

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Imagem: iStock

Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio

17/04/2020 17h40Atualizada em 17/04/2020 18h27

O Brasil se prepara para triplicar a capacidade de realizar testes para identificar o novo coronavírus e chegar a 30 mil verificações por dia no mês de maio. A informação é da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) que centraliza a produção e capacitação de laboratórios no Brasil. Para efeito de comparação, o Ministério da Saúde informa atualmente a realização de apenas 62,8 mil testes desde o início da epidemia.

A produção e aquisição de exames de RT-PCR (moleculares) —mais precisos do que os testes rápidos— já teve aumento no país. A Fiocruz entregará 1 milhão desse tipo de teste ao final deste mês. O estado de São Paulo adquiriu outro 1,3 milhão de produtos na Coreia do Sul. Agora, o próximo passo é expandir a capacidade de processar esses exames.

"[Laboratórios do Brasil] tinham capacidade de testagem de 3.000 testes por dia antes da crise do coronavírus. Já aumentou em cerca de três vezes, e chegou a 9.000 ou 10 mil. Precisamos crescer mais 20 mil testagens por dia", contou o vice-presidente de Produção de Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger.

Só a Fiocruz pretende chegar a 10 mil testes processados por dia, além da produção dos exames.

"O grande gargalo não é fazer os testes. Hoje a realidade é que já existem testes disponíveis. Tem que discutir a capacidade de realizar exames. Temos arranjos locais de universidades e institutos de pesquisas que têm aumentado", completou Krieger, explicando que foi montada uma rede de fornecedores de insumos nos EUA, Europa e Ásia para exames no país.

Previsão de processamento de exames em até 48 horas

Por isso, havia uma quantidade significativa de testes com demora para sair resultados. Em São Paulo, esse número chegou a ser de 17 mil exames, e agora caiu para 9.300. A ideia é que agora os exames sejam processados em um prazo entre 24 a 48 horas.

São 30 laboratórios públicos pelo país —27 estaduais e três de referência federais. Universidades têm feito parcerias com alguns desses laboratórios para ampliar sua capacidade de testes. Já laboratórios privados estão fazendo processamento de resultados em separado.

A realização de testes moleculares é essencial para saber o tamanho da expansão do coronavírus. Atualmente, o Brasil realizou apenas 29 testes por 100 mil habitantes —número bem pequeno se comparado com países bem-sucedidos na contenção da doença.

Ao assumir, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, colocou como prioridade uma testagem em massa para mudar a estratégia atual de distanciamento social.

"Nesse primeiro momento que é de contenção pelo isolamento, o teste molecular identifica a doença ativa [quando a pessoa ainda está infectada]. Aí você pode conseguir fazer medidas para evitar circulação dessas pessoas. Para isso, é preciso identificar os assintomáticos. Daqui a pouco tempo vamos começar a testar a população para ver a imunização", contou Krieger.

Até agora, o Brasil vinha testando apenas pessoas que procuravam hospitais, profissionais de saúde e mortos com suspeita de covid-19, segundo orientação do Ministério da Saúde. Com mais testes, será possível aumentar essa escala. Com 1 milhão de testes em um mês, seria possível ter uma amostragem de ao menos 0,5% da população brasileira.