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Em uma semana, mortes por covid dobram no Brasil; "vai piorar", diz médica

13.abr.2020 - Enfermeira prepara leito de UTI com capsula de proteção em hospital de campanha de Manaus (AM) nesta segunda-feira - Bruno Kelly - 13.abr.2020/ Reuters
13.abr.2020 - Enfermeira prepara leito de UTI com capsula de proteção em hospital de campanha de Manaus (AM) nesta segunda-feira Imagem: Bruno Kelly - 13.abr.2020/ Reuters

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

18/04/2020 20h40Atualizada em 19/04/2020 10h48

Resumo da notícia

  • Mortes confirmadas nos últimos 7 dias (1.223) representam 52% do total de óbitos por covid-19
  • Na semana anterior, foram 692 mortes confirmadas
  • "Mortes vão dobrar a cada semana", diz pneumologista
  • Governo do RJ vai discutir aluguéis de contêineres refrigerados para corpos

Em uma semana, as mortes confirmadas por covid-19 dobraram no país. Levantamento feito pelo UOL com base em números oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde apontou 1.223 óbitos nos últimos sete dias. O índice representa 52% das 2.347 mortes divulgadas pelo governo federal.

Nas últimas 24 horas, foram registradas 206 mortes no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Para especialistas ouvidos pela reportagem, a situação vai se agravar nos próximos dias.

Na comparação com as mortes registradas na semana anterior, houve aumento de 76,7% na letalidade (entre os dias 5 e 11 de abril, foram 692 mortes), com média de 99 óbitos confirmados por dia. Nos últimos sete dias, a média subiu para 178 casos a cada 24 horas.

Entretanto, houve um salto no número de registros desde terça-feira, quando foram confirmadas 204 mortes. De lá para cá, a média diária ficou acima dos 200 registros. Só na comparação entre os 206 registros de hoje com o sábado anterior (68 mortes), os casos triplicaram.

Os anúncios feitos a cada dia, no entanto, não significam necessariamente o número de mortes naquelas 24 horas. Desde o início da pandemia, o Ministério da Saúde tem somado ao balanço diário as mortes ocorridas dias atrás.

Ouvida pelo UOL, a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz, prevê um cenário ainda mais nebuloso para os próximos dias. "Vai piorar. Infelizmente, a tendência é que ocorra no Brasil a mesma coisa que aconteceu nos outros países. Os hospitais da rede pública e privada estão com quase 100% da ocupação. O número de mortes vai dobrar a cada semana", prevê.

Dalcolmo integra um grupo de contingência criado pelo governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), para lidar com a pandemia. Segundo ela, a equipe vai se reunir na segunda-feira (20) para discutir as próximas medidas para lidar com a situação.

Nós estamos discutindo testagem, obrigatoriedade do uso de máscaras e como lidar com o aumento da mortalidade. Vamos discutir a possibilidade de alugar contêineres refrigerados e locais para colocar os corpos, porque o aumento da mortalidade estimado é muito grande

Margareth Dalcolmo, pneumologista

Ela lamentou as manifestações que tomaram as ruas hoje, com pedidos para que as pessoas abandonem o isolamento social. "Fiquei muito triste com o que eu vi nas ruas. Há um descrédito nas recomendações. As pessoas também não estão fazendo isolamento adequado nas periferias. Encaro a situação com pessimismo, conhecendo a progressão da epidemia."

O pneumologista Jorge Pio, que integra a comissão de tuberculose da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio, prevê um aumento no índice de mortalidade em decorrência das características da doença.

"A tendência é ter aumento do número de mortes. Quando o paciente vai para o CTI, a taxa de letalidade é alta. Em casos graves, nem o respirador resolve o problema, porque o vírus provoca alterações na molécula responsável pelo transporte de oxigênio. Por mais que coloque ar dentro do pulmão, o oxigênio não é transportado para os tecidos", explica.

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