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AM: Sem respirador, paciente usa ventilação improvisada em unidade de saúde

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Imagem: Reprodução

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

22/04/2020 19h47

Um paciente com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), suspeito de ter covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, foi atendido com um saco plástico com ventilação, improvisando um equipamento usado como respirador artificial, que estava em falta durante o atendimento, em uma unidade de saúde em Manaus, que faz parte da rede pública de saúde do governo do Amazonas.

O paciente estava inconsciente e com dificuldade de respirar quando foi colocado dentro do "equipamento".

O Brasil registra 2.906 óbitos por covid-19 e a infecção pelo novo coronavírus em 45.757 pessoas. Até agora, 207 pessoas morreram com covid-19 e há 2.479 infectadas pelo novo coronavírus no Amazonas. Os dados são do Ministério da Saúde divulgados hoje.

Na imagem, o homem aparece com a cabeça dentro de um plástico, com elástico nas bordas para tentar isolar o ar próximo ao paciente, que pode estar contaminado com partículas contendo coronavírus. O improviso simula uma "cápsula de ventilação não invasiva". Ainda pode-se observar que o plástico não cobre toda a parte superior do paciente, deixando o ombro direito dele descoberto e espaços abertos na região do peito, acima dos eletrodos usados para cardioscopia, podendo ter vazado ar contaminado no espaço que ele estava.

O paciente aguardava uma vaga em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da rede pública, mas a família acabou o transferindo para um hospital particular. O nome do hospital não foi informado, nem o nome do paciente e a idade dele.

O médico anestesiologista Luís Bulhões Calheiros afirma que o improviso da ventilação não invasiva (que é sem intubação), mostrado na foto, tem o risco de o plástico não vedar o suficiente e espalhar o vírus pelo ambiente, contaminando a equipe e quem está perto do paciente.

"Deve-se atentar que, ao contrário da ventilação mecânica, que não há risco de contaminação devido ao circuito ser fechado, a ventilação não invasiva tem risco de espalhar as partículas do coronavírus no ambiente. Devido a isso, é uma opção que chega a ser evitada nesses pacientes, partindo direto para intubação ou colocando o paciente em cápsulas com isolamento na região superior do corpo, para minimizar esse risco", diz o médico.

Calheiros explica que a ventilação não invasiva serve para doentes que já apresentam algum nível de desconforto respiratório, mas ainda possuem condições de serem mantidos fora da ventilação mecânica (sem intubação). "Nesse tempo de pandemia da covid-19, em que se faltam leitos de UTI e ventiladores mecânicos, esse modo pode ajudar o paciente grave a se manter estável, até que uma vaga em UTI apareça e consiga dar a assistência necessária a esse paciente", explica.

Em nota, enviada hoje ao UOL, o governo do Amazonas informou que "o paciente recebeu assistência e, enquanto aguardava transferência para outra unidade, a equipe médica decidiu, por conta própria, usar uma técnica experimental não invasiva para mantê-lo estável, com autorização da família. Após estabilizado, o paciente foi transferido para uma unidade da rede privada."

A reportagem questionou o governo do Amazonas sobre o improviso com plástico para atender pacientes com dificuldade de respirar, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

A secretária estadual de saúde, Simone Papaiz, admitiu, em entrevista coletiva ontem, que as salas rosas — para onde são internadas pessoas com covid-19 ou suspeita da doença —dos hospitais públicos estão funcionando com 95% a 100% da capacidade. Ontem a taxa foi de 100%.

Papaiz afirmou que o Estado aguarda a concretização da promessa do governo Federal para a instalação de um hospital de campanha em Manaus, que foi anunciado pelo Ministério da Saúde, no início deste mês. Caso a promessa seja concretizada, a unidade hospitalar será exclusiva para atender pacientes com quadro de média complexidade.

"Nós solicitamos 400 leitos ao governo Federal e ao Ministério da Saúde. Sinalizamos também a necessidade não só de estrutura, mas de equipes, insumos e equipamentos para a implantação dessa unidade", informou Papaiz.

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