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Doenças consideradas de risco para covid-19 cresceram nos últimos 13 anos

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Imagem: vgajic/iStock

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo

29/04/2020 04h00

Resumo da notícia

  • A prevalência de diabetes mellitus passou de 5,5% em 2006 para 7,4% em 2019, um aumento de 34,5%
  • O número de pessoas com hipertensão arterial foi de 22,6% em 2006 para 24,5% em 2019
  • Prevalência de excesso de peso saltou de 42,6% para 55,4% e, o de obesidade, de 11,8% para 20,3%
  • Os resultados apresentados para diabetes e hipertensão, particularmente, destacam-se frente à pandemia da covid-19
  • Os chamados fatores de risco acometem a maior parte dos mortos pela doença no mundo

O número de pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade, consideradas como fatores de risco para a covid-19, cresceram no Brasil nos últimos 13 anos. É o que mostra um estudo da Vigitel, (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) divulgado pelo Ministério da Saúde.

Segundo o levantamento, a prevalência de diabetes mellitus passou de 5,5% em 2006 para 7,4% em 2019, um aumento de 34,5% no período. O índice é maior entre mulheres (7,8%) que em homens (7,1%).

O número de pessoas com hipertensão arterial foi de 22,6% em 2006 para 24,5% em 2019. A prevalência também foi maior entre mulheres: 27,3% contra 21,2% entre os homens.

"Os dados de 2019 mostram que a prevalência de hipertensão, assim como a de diabetes, também aumentou com a idade, chegando a acometer 59,3% dos adultos com 65 anos ou mais: 55,5% dos homens e 61,6% das mulheres", diz o documento.

O excesso de peso e a obesidade, doenças crônicas que têm sido as responsáveis por mortes de jovens durante a pandemia, também tiveram aumento. A prevalência de excesso de peso foi de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019.

Para obesidade, o aumento foi de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019, um salto de mais de 72%.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a prevalência do excesso de peso é de 30,1%; entre os adultos com 65 ou mais foi de 59,8%. Já a obesidade a prevalência é de 8,7% entre pessoas de 18 a 24 anos e 20,9% entre adultos com 65 anos ou mais.

A escolaridade é outro fator importante: entre aqueles com até oito anos de escolaridade, a prevalência de excesso de peso foi de 61,0%, e entre os com 12 anos ou mais, 52,2%. Para obesidade, o índice é de 24,2% para pessoas com até oito anos de escolaridade, 17,2% para 12 anos ou mais.

Já o hábito de fumar, outro fator de risco para a covid-19, diminuiu nesses 13 anos analisados. A proporção de adultos fumantes diminuiu de 15,7% em 2006 para 9,8% em 2019, uma diminuição do hábito de fumar de 37,6%.

A pesquisa foi feita em 2019 e foram realizadas 52.443 entrevistas com adultos residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Fator de risco para covid-19

"Os resultados apresentados para diabetes e hipertensão, particularmente, destacam-se frente à pandemia da covid-19 no momento", diz o documento.

"Estudos realizados com pacientes da China, principalmente, e de outras localidades apontaram para maior risco de agravamento e morte por covid-19 em pessoas que apresentam condições como diabetes, doenças cardiovasculares, entre elas a hipertensão, além da idade avançada".

De acordo com dados divulgados no domingo pelo Ministério da Saúde, entre os óbitos confirmados para covid-19 no dia, "70,0% tinham mais de 60 anos e 67,0% apresentavam pelo menos um fator de risco. A cardiopatia foi a principal comorbidade associada e esteve presente em 1.566 dos óbitos, seguida de diabetes (em 1.223 óbitos), doença renal (296), pneumopatia (279) e doença neurológica (265). Em todos os grupos de risco, a maioria dos indivíduos tinha 60 anos ou mais, exceto para obesidade".

Segundo o médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Evaldo Stanislau, ainda não se sabe ao certo porque diabetes e hipertensão pioram o quadro dos pacientes de coronavírus,"porém, são doenças que já comprometem órgãos vitais e potencialmente modificam nossas respostas metabólica e inflamatória", diz.

"Da mesma forma, a obesidade leva a uma inflamação crônica que pode modificar a resposta ao coronavírus e também interfere em órgãos vitais severamente comprometidos pelo vírus como rins, fígado e coração", explica.

O presidente Jair Bolsonaro já defendeu publicamente o chamado isolamento vertical, no qual apenas pessoas infectadas e dos grupos de riscos deveriam se isolar, enquanto os demais retornam às suas rotinas normais. Contudo, as estatísticas atestam a alta prevalência das doenças crônicas na população.

A hipertensão acomete mais de 20% da população adulta e mais de 60% dos idosos com mais de 65 anos. "A diabetes, por sua vez, apesar de ter menor prevalência quando comparada à hipertensão, traz outras comorbidades que impactam diretamente na saúde das pessoas e oneram os serviços de saúde", destaca o boletim

Além disso, o excesso de peso afeta mais de 50% da população adulta residente nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, sendo que, entre esses, mais de 20% são obesos.

"O cenário extraordinário em que vivemos com a covid-19 remete à importância de continuar enfrentando as condições supracitadas, com investimento contínuo em detecção precoce, tratamento e controle das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, essenciais para a redução de seus agravos relacionados", finaliza.

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