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Quase sem vagas de UTI em São Luís, MA fará decreto parecido com "lockdown"

O governador do Maranhão, Flávio Dino  - Roberta Aline/Governo do Piauí
O governador do Maranhão, Flávio Dino Imagem: Roberta Aline/Governo do Piauí

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

30/04/2020 04h00

Dos 149 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis em São Luís, no Maranhão, 119 estavam ocupados ontem, segundo dados do governo do Maranhão. Quase sem vagas, o governo do estado vai publicar um decreto na próxima semana para endurecer as regras de isolamento social, "próximo ao lockdown" — que é o fechamento total e a proibição de circulação de pessoas.

"O novo decreto vai na direção da restrição de reduzir a circulação de pessoas, se aproximando de lockdown. Estamos analisando a forma e a graduação de atuação para publicar. A previsão é que na terça-feira eu edite esse novo decreto para a capital; para o resto do estado não é necessário", afirmou o governador Flávio Dino (PCdoB).

Segundo boletim de ontem da Secretaria Municipal de Saúde, dos 337 leitos de enfermaria, 197 estavam ocupados (58%). Já no interior, a situação é mais cômoda: 15 dos 81 leitos de UTI e 15 dos 168 leitos clínicos estavam ocupados apenas.

Para reforçar o atendimento, o estado recebeu mais respiradores comprados na China nesta madrugada. Dino colocou ontem mais 27 leitos de UTI à disposição da população ainda hoje.

"Neste momento, antes do novo decreto, estamos priorizando a contratação de médicos e leitos e no aumento de fiscalização do decreto em vigor. Já aplicamos multa a comércio, bancos", afirma Dino.

Aceleração

O governador diz que há uma grande preocupação com a capacidade dos serviços de saúde, já que a covid-19 ainda não atingiu o pico no estado — o que deve ocorrer próximo ao fim de maio.

"Nós estamos com tendência de aceleração de casos na capital. Por isso a previsão desse próximo decreto ter um endurecimento de medidas preventivas, de distanciamento, para a gente passar pela pandemia. Mas a trajetória é fortemente ascendente e a situação no estado é gravíssima. Hoje fiz esse alerta à população", afirma.

Também em entrevista do UOL, Dino reclamou da atuação federal, com críticas às falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizando a pandemia e suas mortes.

Ele também cobrou ações para conseguir equipamentos junto a outros países e a organização das filas nas agências da Caixa, responsável pelo pagamento do auxílio de renda básica à população.

"Se o governo federal não se mobilizar será muito difícil os governos estaduais se mobilizarem sozinhos para evitar situações de falta de atendimento à população", aponta.

Para ele, houve a influência de fatores políticos no descumprimento do isolamento social. "Nós assistimos nos últimos 45 dias uma atitude de setores da política, especialmente do presidente, no sentido de sabotar o trabalho dos governadores, de culpar e empurrar os problemas para os governadores", reclama.

"E quando há essa militância contra as medidas se torna mais difícil ainda! Fazer isso já é difícil, porque a tendência natural de todas as pessoas é usufruir da sua liberdade, do direito de ir e vir. Isso é natural. Se além disso, tem a maior autoridade dizendo que não é para cumprir essas medidas, que é uma 'gripezinha', fica muito mais complicado", diz.

Ontem, Dino teve encontro com o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, junto com os outros oito governadores do Nordeste. "Ele se comprometeu a responder sobre as questões de ajuda aos estados, especialmente no que se refere a equipamentos. Há um desabastecimento objetivo no mercado brasileiro", diz.

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