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Subnotificação pode esconder mais de 1 milhão de casos no país, diz estudo

Testes em massa ajudariam a diminuir índice de subnotificação da covid-19 no Brasil - Getty Images
Testes em massa ajudariam a diminuir índice de subnotificação da covid-19 no Brasil Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

30/04/2020 16h12

O problema da falta de testes em massa no Brasil pode estar escondendo um número de contaminados pelo coronavírus que seria mais de 15 vezes maior do que o divulgado pelo governo federal. Segundo a iniciativa de pesquisa Covid-19 Brasil, os infectados no país podem ser mais de 1,2 milhão, bem acima dos quase 80 mil reportados até ontem.

A iniciativa, que agrega pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), entre outras grandes universidades do país, chegou à conclusão com base no dado mais confiável existente no Brasil, o número de óbitos causados pela covid-19.

O modelo de comparação então usou os dados mais confiáveis no mundo quanto à taxa de letalidade e contaminação, que são da Coreia do Sul, país que mais conseguiu fazer testes por habitantes durante a pandemia.

"Considerando que a taxa de letalidade é fixa para esta doença, o método faz um ajustamento da curva de casos com base no registro de óbitos, considerando que este é mais consolidado em nosso país, apesar de também haver relatos de subnotificação dos óbitos", explica o site da iniciativa.

O modelo foi atualizado até a última terça-feira (28), dia simbólico para a pandemia no Brasil, quando o país ultrapassou a China em número de mortes e somou mais de 5.000 óbitos. A estimativa resulta em 1.201.686 contaminados em todo o território brasileiro.

"A despeito de defendermos as nossas estimativas, fica claro que mesmo sem elas é fácil verificar o que estamos defendendo. Veja os boletins publicados pelo Brasil, de cidades, estados e o do governo brasileiro. Tipicamente estão consolidando os casos que sofreram internação. Os casos dos assintomáticos ou com sintomas leves não são sujeitos a testagem e não são notificados em geral", explicou Domingos Alves, integrante da iniciativa e líder do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.

"Levando-se isso em consideração, tipicamente o número de casos nos boletins são em torno de 15% do total de casos (são os casos de internação). Ora então, sem muita matemática, é fácil ver que existem 85% dos casos a mais nas contas que deveriam estar sendo feitas ao se publicar os boletins", concluiu Domingos.

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