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Covid-19: Prefeito de Manaus admite fracasso e vê Bolsonaro remando contra

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto - Reprodução/Twitter/@Arthurvneto
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto Imagem: Reprodução/Twitter/@Arthurvneto

Do UOL, em São Paulo

04/05/2020 10h37

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB) acredita que o estado do Amazonas "fracassou" nas medidas de combate ao coronavírus. Em entrevista ao "Valor" publicada hoje, o político lamentou a baixa adesão da população à quarentena e criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Admito o fracasso. Fracassamos aqui, o governador e eu. No Amazonas não acataram nossas recomendações, os decretos não foram obedecidos, o povo está nas ruas. Dia de sábado é dia de festa", disse. "Ainda não caiu a ficha das pessoas. O que garante essa tranquilidade de que não vai pegar o covid-19 se está vendo na televisão, nos jornais a crise no sepultamento, nos hospitais, se está vendo o vizinho pegar a doença? Uma das razões é que muitos acham que covid-19 é doença de rico, que não dá em pobre."

Manaus está com uma média de apenas 40% de isolamento social. A baixa adesão faz com que o prefeito de Manaus critique a postura do presidente Jair Bolsonaro. Segundo Virgílio, o líder do Executivo "rema contra".

"Tem mais uma razão, que é o exemplo do presidente. Atribuo muito ao fato de Bolsonaro não ter entrado no comando da mobilização nacional. A pregação dele é: 'vá para a rua', 'é uma gripezinha chinesa'", criticou. "Todos os dias faço o apelo 'fique em casa', falo que o distanciamento social é o nosso único plano. Peço para quem mora na periferia ficar no barraco, porque são os mais suscetíveis. Mas quando o presidente rema contra, fica mais complicado. O presidente pode estar em alta ou baixa, mas nossa sociedade gosta muito de ter um líder, um chefe."

Apesar do baixo índice de isolamento social, o prefeito rejeita a ideia de um "lockdown". Para ele, medidas mais rígidas podem piorar ainda mais a situação.

"Nem pense em lockdown porque será barbárie. As pessoas vão buscar com as próprias mãos, na marra aquilo que querem, arrombando loja. Me parece que temos que colocar a faca nos dentes e aguentar firme e ver se até 15, 16 de maio conseguimos mudar a curva da doença, que está em ascensão", analisa.

A cidade está com o pico de contaminação prevista para os próximos dias. O prefeito afirma que vai intensificar o pedido para que as pessoas fiquem em casa. A ideia é evitar um cenário parecido com o de Guayaquil, no Equador, que teve pessoas enterradas em caixões de papelão.

"Vamos jogar o mais duro possível até dia 15 de maio, com comerciais de televisão, de preferência até em conjunto com o governo do Estado, para mostrarmos que se as pessoas querem viver o que Guayaquil viveu ou coisa pior, que fiquem nas ruas. Precisamos nos preparar para o pico, senão será uma desgraça, uma barbárie realmente. Temos duas semanas que serão decisivas para nos prepararmos para o confronto", afirmou.

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