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OMS pede "coerência e coesão" das autoridades ao falar sobre ação do Brasil

Adriano Machado
Imagem: Adriano Machado

Do UOL, em São Paulo

15/05/2020 13h02

A Organização Mundial da Saúde (OMS) repercutiu a situação atual do Brasil diante da pandemia do coronavírus em sessão realizada hoje.

Ao ser questionado por uma jornalista sobre as ações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que considerou academias e salões de beleza como serviços essenciais, Michael Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, tomou a palavra e pediu "coerência e coesão" ao governo.

"Vimos um aumento no número de casos no Brasil e no restante da América do Sul e Central. Independente do sistema de saúde, é preciso haver coerência e coesão em todo o governo em relação à sociedade. As comunidades precisam ouvir mensagens coerentes de todas as autoridades", disse.

O diretor, no entanto, não comentou o pedido de demissão de Nelson Teich, ocorrida no fim da manhã de hoje, citando apenas que "todos os países estão enfrentando dificuldades" e que "é difícil manter a coesão e a confiança no meio de uma crise".

"Nenhum país tem respostas completamente certas [para controlar o coronavírus]. Alguns trabalharam com mensagens simples para a população, e isso atingiu vários níveis da sociedade", completou Ryan.

Novidades na próxima semana

Minutos antes, o diretor-geral da organização, Dr. Tedros Adhanom, informou que a OMS vai lançar, na semana que vem, um "mecanismo inovador" para disseminar estratégias de vacinas e medicamentos que combatem o coronavírus pelo mundo.

O presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado, foi um dos convidados da sessão de hoje. Segundo Tedros, ele foi um dos idealizadores do projeto.

"A OMS aceitou esta proposta visionária e, nas próximas semanas, lançará uma plataforma para compartilhamento aberto e colaborativo de conhecimentos, dados e propriedade intelectual sobre ferramentas de saúde existentes e novas para combater o coronavírus", disse.

Alvarado considerou que é preciso trabalhar em conjunto para sanar o problema. "Apenas se agirmos juntos conseguiremos combater a covid-19. Não podemos nos prender no nacionalismo e não podemos ser egoístas. É justamente o momento de fazer o contrário, de trabalharmos juntos. É uma oportunidade para mostrarmos a humanidade o melhor de nós mesmos e que conseguimos trabalhar em conjunto".

Ao ser indagado se este projeto teria apoio do presidente norte-americano Donald Trump, Tedros se esquivou. "Não posso responder a esta pergunta. É melhor fazer esta pergunta a ele".

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, também era esperado para a conferência, mas saiu de última hora "para resolver questões urgentes" do governo, segundo um porta-voz.

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