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Conteúdo publicado há
9 meses

Escudo facial pode proteger, mas não impede usuário de transmitir covid-19

Kristyna Wentz-Graff
Imagem: Kristyna Wentz-Graff

Do UOL, em São Paulo

18/05/2020 17h10

Viseiras e escudos faciais podem até proteger quem tem contato de perto com pacientes de covid-19, mas especialistas em saúde pública não estão convencidos de que eles impedem os usuários, se estiverem infectados, de espalhar o vírus.

Em entrevista ao site britânico The Guardian, Linda Bauld, professora de saúde pública da Universidade de Edimburgo, na Escócia, disse que são necessárias pesquisas sobre formas alternativas de proteção do rosto antes que possam ser recomendadas para uso geral.

Viseiras ou escudos são usados por médicos, além de máscaras por baixo deles, para procedimentos de risco em hospitais. Lojas do Reino Unido, incluindo Co-op, Marks and Spencer e Waitrose, têm oferecido esses equipamentos de segurança para seus funcionários.

Um artigo publicado no Journal of American Medical Association (JAMA) no mês passado sugere que eles "podem oferecer uma opção melhor" do que máscaras de tecido feitas em casa, como preconizado no Reino Unido e em vários estados dos EUA.

No entanto, Bauld se posiciona de forma cética: "O motivo para usar uma viseira que cobre a metade superior do seu rosto é se você entra regularmente em contato com o público a uma curta distância, e você pode ser exposto àquelas pequenas gotas que são muito eficientes no transporte do vírus", disse ela.

"Eu pude ver como em algumas organizações de varejo e outros ambientes, eles desejam fazer isso [usar viseiras], mas não acho que haja fortes evidências de que sejam algo que o público deva usar regularmente. O importante é cobrir a boca e o nariz", ela afirma.

"As proteções faciais que as pessoas estão sendo incentivadas a usar, por exemplo, no transporte público não são para proteger o usuário, mas para proteger as outras pessoas ao redor. Enquanto que a viseira e os materiais mais duros são claramente para proteger o usuário de entrar em contato as gotículas dos outros."

Embora tenha havido vários estudos em relação ao uso de máscaras faciais, às vezes com conclusões contrárias, não houve a mesma pesquisa para escudos ou viseiras.
O artigo do JAMA fez referência a um estudo que descobriu que os escudos usados em um sujeito posicionado a 1,8 metro de uma tossida reduziam a inalação do vírus da influenza em 92%, embora esse efeito protetor diminuísse após a tosse se dispersar por 30 minutos.

Bill Keevil, professor de saúde ambiental da Universidade de Southampton, no Reino Unido, disse que as vantagens dos escudos incluem proteção aos olhos, eles são mais fáceis de vestir e lavar, evitam que as pessoas toquem no rosto e também são melhores para pessoas com dificuldades respiratórias, como asma, que foram instruídas a não usar proteções faciais no Reino Unido.

"Você pode ver como, de certa forma, isso daria uma melhor proteção para o usuário e poderia - digo apenas poderia - ajudar a reduzir a transmissão para outras pessoas, porque o que você produz não está se projetando muito longe do seu rosto", disse ele.

Além disso, os protetores faciais e viseiras parecem mais fáceis de fazer do que as máscaras médicas e cirúrgicas de alta especificidade, como evidenciado por várias universidades do Reino Unido que as fabricam, inclusive através do uso de impressão 3D.

Nos Estados Unidos, empresas como Amazon, Apple, Nike e General Motors as estão produzindo, com a Amazon dizendo que, depois que as necessidades dos profissionais de saúde forem atendidas, elas estarão disponíveis para compra por todos os clientes.

Mas Bauld enfatiza que o público em geral pode facilmente fazer máscaras improvisadas em casa.
"As coberturas faciais básicas que estamos incentivando as pessoas a usar podem ser feitas por qualquer pessoa com qualquer tecido, e é por isso que o público está sendo incentivado a usar ou fabricar a sua própria, em vez de encomendá-la em algum site."

Embora reconheça alguns elementos positivos de viseiras e escudos, ela disse que é perceptível que, em países à frente do Reino Unido no controle de infecções como Hong Kong e Cingapura, viseiras de plástico não são vistas.

"Não está acontecendo, certo?", ela aponta. "Portanto, este é um equipamento de proteção adicional para ambientes específicos."

"Acho que estamos longe de recomendar que as pessoas usem viseiras de plástico".

Keevil acredita que é possível que as viseiras façam sucesso. "É uma espécie de mudança social, não é? Quando as pessoas começam a vê-las, algumas podem começar a pensar: 'Por que estou brincando com uma cobertura de pano caseira?'", diz ele.

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